Não dá para afirmar categoricamente se o aumento do Bolsa Família, no dia 17 de setembro, afetou ou não a opinião do eleitorado. Especialmente daquele que foi beneficiado pela medida presidencial a 17 dias das eleições.
Mas dá para suspeitar que o impacto não foi uma Brastemp para os planos lulistas.
Logo no dia seguinte à notícia, a empresa BTG/Nexus foi a campo para ver como estavam as projeções eleitorais em um eventual segundo turno. O levantamento de campo, realizado entre os dias 18 e 20 de setembro, gerou os seguintes indicadores: Lula, 46%, e Flávio, 45%.
Na rodada anterior, de 14 de setembro, Lula tinha 47% e Flávio, 46%. Isso quer dizer que cada um perdeu 1% em relação à pesquisa de quando o aumento do benefício ainda não era notícia.
Podemos sim dizer que não houve tempo suficiente para o eleitor assimilar o aumento de 15,04% no Bolsa Família. Mas podemos também supor que o aumento não fez nenhum efeito. Algum efeito, pelo menos, era para ser percebido.
Então, o efeito foi a queda dos dois candidatos de forma insignificante, dentro da margem de erro, o que quer dizer quase nada ou nada.
A nova notícia, do final desta semana, é a de Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, voando em jatinhos de Vorcaro. Tudo devidamente comprovado, o casal tem dito que contrata voos e não empresas que vão fazer os voos. Se os jatos são de Vorcaro, isso é pura coincidência para o casal.
Só que as coincidências são muitas e já passaram do limite da tolerância e da ingenuidade. O grave da questão é que o eleitorado acha que Vorcaro e Moraes afetam mais a Lula do que a Flávio, segundo pesquisas. As próximas pesquisas devem trazer, portanto, alguns reflexos desta nova notícia e até do real impacto do Bolsa Família.
Tudo indica, o efeito também deve ser na casa de 1% de variação para mais ou para menos. Se por um lado esse baixo impacto tranquiliza os lulistas, por outro é aí que está o problema, porque nesta eleição os candidatos a presidente devem ser eleitos por uma margem tão estreita de votos que um jatinho de Vorcaro pode causar um estrago violento entre um indicador e outro.
Tudo vai depender, suponho, do resultado no primeiro turno. Se Lula estiver na frente, a movimentação do Centrão será uma. Se Flávio estiver na frente, será outra. Os demais candidatos a presidente, se não ficarem neutros, devem apoiar Flávio. Esta pode ser a tendência. Uma tendência que exigirá uma análise bem diferente da que se faz hoje sobre o segundo turno. E a diferença entre ambos? Dentro da margem de erro.





