No último domingo (11), a avenida Paulista foi invadida por eleitores de Lula, em uma manifestação que atraiu muitos jovens, provavelmente, em sua maioria, universitários. A dúvida que surge em relação ao ato público é se estaria havendo alguma migração do eleitorado entre 16 e 24 anos, que votou em Flávio Bolsonaro no primeiro turno ou para Renan Santos, mas que agora estaria disposto a votar no candidato à reeleição.
De acordo com o Datafolha, divulgado em 3 de outubro, véspera do primeiro turno, Lula já tem uma fatia maior desse eleitor, numa proporção de 46% para 32%, em relação a Flávio Bolsonaro. Talvez os estrategistas do PT vejam nesse segmento alguma possibilidade de ampliá-lo ainda mais, pela sua versatilidade. Por isso, a divulgação da proposta de criação de mais um pacote assistencialista de última hora apresentado por Lula esta semana, como o Pé-de-meia para universitários.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem um desempenho melhor junto ao público que já saiu da universidade ou que já está consolidado no mercado de trabalho, ainda segundo o Datafolha. Entre aqueles de 25 a 34 anos, o candidato da oposição tem 43% dos votos e Lula, 38%. Com uma diferença parecida, Flávio lidera também entre os de 35 a 44 anos, numa proporção de 44% a 39%.
A maior distância entre Lula e Flávio, sempre com base em levantamentos do Datafolha, está no público 60+. O nome do candidato petista se destaca com 47% das intenções de votos, enquanto Flávio fica com 38%. A maior vantagem de Lula, no entanto, está junto ao público mais velho, sendo que, a partir dos 70 anos, não é mais obrigatório votar e há os problemas de saúde. Ou seja, é o público junto ao qual se registra maior abstenção.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são cerca de 17 milhões de eleitores aptos com mais de 70 anos no país. Vale recordar que o número de eleitores que não escolheram nenhum dos candidatos no primeiro turno ou se abstiveram soma mais de 33 milhões. Sendo assim, o eleitor com mais de 70 anos representa cerca de metade desse público, numericamente falando.
Segundo as projeções demográficas do IBGE, o Brasil tem aproximadamente 28 milhões de jovens entre 16 e 24 anos. Por outro lado, a população com idade entre 25 e 44 anos, que constitui a maioria das famílias brasileiras, na qual Flávio tem maior projeção, é composta por 65,5 milhões de pessoas. Em tese, o público que já passou pela universidade ou não, mas que está no mercado de trabalho, costuma ser mais seguro nas suas decisões e opiniões, comparativamente aos mais jovens. Nesse sentido, Flávio leva alguma vantagem.
Em síntese, pela movimentação da Paulista no último domingo, Lula tenta compensar com os jovens o que está perdendo com os velhos. Porém, Flávio ainda segue com vantagem por estar consolidado entre o público adulto, que sabe da importância da mudança de rumo da economia do país por estar enfrentando dificuldades com o orçamento familiar. Por este ajuste de foco, é possível entender melhor o jogo político e o que pode acontecer nas urnas no segundo turno, que será realizado no dia 25 de outubro.





