Água é fundamental. Uma noção básica tão óbvia que escapou ao ex-prefeito de Piracicaba, Luciano Almeida. Parece brincadeira, mas o prefeito deixou até acumular lama nos reservatórios da Estação de Tratamento de Água - ETA Luiz de Queiroz, inviabilizando o uso da estrutura de armazenamento. Não dá para entender tamanha falta de noção.
Na ocasião, tudo foi tratado pelo site Viletim, mostrando a gravidade do problema. O governo municipal dizia que o Ministério Público estava dificultando a solução, uma vez que foi feito um acordo para não se descartar mais os resíduos de tratamento da água da estação no rio Piracicaba, como era feito diuturnamente.
Depois da mortandade de peixes no Piracicaba, em julho de 2024, o cenário se agravou e a lava da estação ficou visada. No lugar de agir prontamente para solucionar o problema, o governo fez corpo mole e aceitou apenas a tese dos bolsões para armazenamento de parte da lama. A praça da Boyes foi vitimada com isso. Era lama que não acabava mais.
Quando Helinho Zanatta foi eleito, a água era o problema principal da cidade. O abastecimento estava comprometido e não eram poucos os bairros que sofriam com isso. Ao se deparar com a cena, o novo prefeito perguntou ao presidente do Semae, Ronald Pereira, por onde começar. Enfático, Ronald disse: “Precisamos limpar os reservatórios”.
Foi um vai e vem intenso de caminhões carregando barro para as estações de tratamento de esgoto da cidade. Em pouco tempo, o cenário melhorou. Mas era insuficiente para contornar o gargalo que se tornou o abastecimento de água na cidade, porque a tecnologia usada na estação também estava envelhecida. Além disso, o Semae estava descapitalizado para novos investimentos.
Helinho correu para encontrar fontes de financiamento e iniciou a maior transformação da ETA, cuja inauguração da obra se deu na semana passada. Uma conquista e tanto para um governo colocado à prova. Luciano Almeida deixou o Centro Cívico com essa marca de lama nas mãos e nos pés, não da corrupção, mas a dos reservatórios entupidos e paralisados da ETA Luiz de Queiroz.
Pelo que se sabe e se tem demonstrado, Ronald Pereira é um grande gestor do Semae e tem apontado para outros problemas, que estão sendo enfrentados sem delongas: o aprimoramento da estrutura de captação do rio Corumbataí, a rede de fornecimento de água para Santa Terezinha, a atualização e ampliação da ETA Capim Fino, com novos tanques de armazenamento, a redução das perdas de água tratada por debilidades de uma rede de abastecimento muito velha e exaurida, especialmente no centro da cidade.
Não se trata aqui de elogiar o governo, mas de mostrar que há coisas fundamentais a serem feitas em uma cidade e que dependem de visão adequada de gestão pública. O abastecimento de água é uma delas. Isso implica em desenvolvimento econômico, em melhoria ambiental e qualidade de vida. Não se brinca com a falta de água. A população não tolera esse tipo de descaso. Nesse quesito, a atual gestão mostrou que não está para brincadeira. É o que importa.
Falta avançar, evidentemente, no tratamento de esgoto clandestino, que chega ao rio e compromete a qualidade de sua água. Falta pressionar também governos de cidades à montante que não tratam adequadamente seus esgotos. E essa sujeita toda também compromete o nosso rio. São passos que precisam ser dados. A Agencia das Bacias do PCJ está aí para ajudar nessa missão. O trabalho é intenso e não pode parar.




