As 100 Milhas Piracicaba vai contar com uma atração a mais nesta 37ª edição do tradicional evento automobilística que acontecerá entre os dias 21 e 23 de agosto, no ECPA (Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo). A categoria de Fórmula 1600, que fará uma das preliminares, terá uma prova de 50 milhas pelo circuito do autódromo.
Acostumados a decidir posições em corridas curtas, nas quais uma largada, uma relargada ou poucos décimos podem mudar completamente o resultado da prova, os pilotos da Fórmula 1600 terão de lidar com outra estratégia no próximo desafio.
Não haverá pontos em jogo pelo Campeonato Paulista, que é disputado em Interlagos, e a prova de 50 Milhas será uma competição independente, criada para colocar pilotos e equipes diante de uma experiência diferente daquela encontrada nas etapas dos dois campeonatos.
As 50 milhas previstas para serem percorridas no traçado piracicabano representam, em extensão, aproximadamente o dobro de uma corrida convencional de 12 voltas da categoria em Interlagos.
E é justamente aí que está um dos atrativos da prova. Em uma Fórmula 1600 na qual as diferenças frequentemente são medidas em décimos de segundo, aumentar a duração significa acrescentar novas variáveis a uma equação normalmente resolvida na velocidade, então, a dimensão do desafio aparecerá também na distância.
Ao longo de 50 milhas, preservar o equipamento, evitar erros, atravessar situações de tráfego e interpretar os diferentes momentos da corrida passam a fazer parte da construção do resultado. Para quem competir em dupla, haverá ainda outro elemento nada comum na rotina da categoria: entregar o carro para que outro piloto continue aquilo que começou.
A troca também cria uma combinação interessante. O regulamento impede que dois pilotos da divisão Super formem uma mesma dupla, abrindo espaço para diferentes composições entre os competidores da Fórmula 1600.
É um cenário que pode produzir histórias dentro da própria corrida. Um piloto pode construir vantagem e entregar o carro ao companheiro; outro pode assumir com a missão de recuperar terreno. Ritmos e estilos de pilotagem distintos, além da necessidade de encontrar um equilíbrio que funcione para os dois, passam a fazer parte do fim de semana.
Nos boxes, equipes que normalmente trabalham pensando em provas bem mais curtas também terão participação diferente. Para as duplas, a troca obrigatória de pilotos acrescentará uma variável à disputa, enquanto o abastecimento previsto para a corrida colocará as decisões de estratégia entre os fatores capazes de interferir no resultado.
Tudo isso acontece em um momento no qual a temporada regular da Fórmula 1600 já se aproxima de sua reta decisiva. O Campeonato Paulista cumpriu oito de suas dez etapas, enquanto duas rodadas da Copa Brasil já foram realizadas. Antes das próximas decisões pelos campeonatos, Piracicaba oferece uma disputa com identidade própria.
Mais do que uma corrida maior, portanto, a prova propõe uma mudança de perspectiva. O mesmo Fórmula 1600 utilizado em disputas nas quais cada volta costuma ser tratada como uma volta de classificação, terá pela frente uma competição em que será preciso pensar também no que acontecerá dez, vinte ou trinta voltas adiante.




