
Até o dia 18 de outubro, a cidade de São Paulo prestará homenagens à Deolinda Madre, mais conhecida como Madrinha Eunice, pelos 117 anos de seu nascimento. Madrinha Eunice (1909-1995) foi a fundadora da Escola de Samba Lavapés em 1937, a agremiação reconhecida como a mais antiga da cidade.
O evento Semana Madrinha Eunice – 117 anos teve início neste dia 13 de outubro, às 18 horas, na Casa de Dona Yayá, da USP, com a roda de conversa Mulheres do Samba, que contou com a participação da pesquisadora Cláudia Alexandre, do Centro de Estudos de Religiosidades Contemporâneas e das Culturas Negras (Cerne), grupo de pesquisa do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Além de Cláudia, também marcaram presença a cantora e compositora Maria Bernadete Raimundo, conhecida como Bernadete, a Tulipa Negra do Samba, a presidente da Escola de Samba Mocidade Alegre de São Paulo, Solange Cruz Bichara, e Theba Pitylla, rainha da Escola Império de Casa Verde. Além do encontro inaugural, outros três eventos marcam a semana (veja abaixo a programação).
Inspiração
Para Cláudia Alexandre, a história de Madrinha Eunice é uma grande inspiração para todas as mulheres negras que de alguma maneira estão envolvidas com o samba paulista. Madrinha Eunice faleceu em 1995, quando a Lavapés estava na União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP) e já tinha deixado o grupo principal, portanto, fora da grande mídia. “Tive a oportunidade de vê-la participando de reuniões com outros dirigentes, por que ela sempre foi politicamente ativa na gestão do carnaval das escolas de samba. Sempre muito firme nas decisões e nas reivindicações por condições melhores para as comunidades de blocos e escolas de samba. Não à toa, ela é a única mulher entre os cinco cardeais do samba paulista”, destaca Cláudia.
Nascida em Piracicaba, em 14 de outubro de 1909, Deolinda Madre marcou a história do samba ao fundar, em 1937, a Escola de Samba Lavapés. Sua atuação ultrapassou os limites do Carnaval. Madrinha Eunice foi uma liderança comunitária que ajudou a construir espaços de pertencimento, resistência cultural e afirmação da identidade negra em São Paulo, em um período em que o samba e as manifestações de matriz africana enfrentavam perseguição e preconceito. A Semana Madrinha Eunice – 117 anos reafirma a importância de preservar essa memória e reconhecer o papel das mulheres negras na construção da cultura brasileira.
Confira a programação:
Terça-feira, 13 de outubro, às 18 horas
Roda de conversa: Mulheres do Samba – com Claudia Alexandre; Bernadete, a Tulipa Negra; Solange Cruz Bichara; e Theba Pitylla. Mediação: Kenya Macedo
Local: Casa de Dona Yayá – Centro de Preservação Cultural da USP
Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista, São Paulo
Quarta-feira, 14 de outubro, às 19 horas
Celebração do Aniversário de Deolinda Madre
Local: Fábrica do Samba – São Paulo
Sexta-feira, 16 de outubro, às 18 horas
Roda de conversa: Os Cinco Cardeais do Samba Paulistano
Local: Casa de Dona Yayá – Centro de Preservação Cultural da USP
Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista, São Paulo
Domingo, 18 de outubro, às 9 horas
4º Cortejo para Madrinha Eunice
Concentração: Rua Lavapés, 159 – São Paulo
Percurso: caminhada até a estátua de Madrinha Eunice, no Largo da Liberdade
Fonte: Jornal de USP




