A bola é outra
Há um Brasil cujo presidente tenta se eleger e trata as relações bilaterais com os EUA de forma superficial, jogando com a torcida o que diz respeito aos estereótipos antiamericanos
Iniciamos hoje uma Copa do Mundo de Futebol que pode ficar para a história. Não pelo esporte em si, que é uma paixão mundial. Mas por tudo o que acontece ao mesmo tempo em que os craques pisam no gramado.
Há uma guerra contra a Ucrânia, alimentada pela Rússia, que há quatro anos tenta invadir e dominar o território alheio, sem sucesso. Há uma guerra dos EUA contra o Irã, por causa de armas nucleares e petróleo. Um conflito que tem mexido com os mercados globais.
Há uma Europa pouco atenta aos fatos atuais e incapaz de avançar em suas novas responsabilidades geopolíticas, com a guinada de Trump em questões de parcerias estratégicas com a Otan, que foram interrompidas.
Há um Brasil cujo presidente tenta se eleger e trata as relações bilaterais com os EUA de forma superficial, jogando com a torcida o que diz respeito aos estereótipos antiamericanos. O risco é a perda de oportunidades para o desenvolvimento estratégico.
Há ainda o clima, com El Niño em alta e a expectativa de calor intenso durante a competição, que acontece no México, Canadá e EUA. A Copa do Mundo está sob pressão, claro. Há ainda o temor, por que não, de atentados em campos de futebol.
O momento é de alegria, devido ao campeonato tão esperado por todos, e o desejo de muitos países de se sagrarem campeões, inclusive o Brasil. Mas há também o desalento provocado pelo risco de acirramento de conflitos e até tragédias. Vamos torcer pelo melhor.





