Se consumar a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no dia 25 de outubro, Alexandre de Moraes sabe que ele não terá mais condições de permanecer no STF.
Em artigo publicado nesta quarta-feira (7), eu disse que seria mais adequado que o Senado tomasse a dianteira desse processo de impeachment de Moraes, para que a decisão não fosse vista como vingança de um Bolsonaro.
Algumas medidas novas de Moraes contra suas próprias medidas (isso mesmo que se lê) já foram tomadas. Ele suavizou para a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do batom”, para que ela cumprisse a pena em regime semiaberto. Arquivou investigação contra os bolsonaristas Marcos do Val, Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos e Ednardo Raposo. Encerrou investigação contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio Bolsonaro, acusado por Lindbergh Farias e Sonia Thronicke de estupro de vulnerável, etc.
Tudo para tentar melhorar sua imagem no afogadilho. Tarde demais.
Moraes trabalha rápido porque sabe o que lhe espera. Existe, sim, um clima no novo Senado propenso a colocá-lo no olho da rua, para que ele responda pelos crimes que cometeu sem a proteção da Corte. Lembram-se dos R$ 130 milhões de Vorcaro à sua esposa? Pedir a cabeça do ministro é tratado como um compromisso dos senadores eleitos no dia 4 de outubro com o eleitorado.
Segundo analistas dos grandes jornais, como o Estadão, há uma sensação no STF de “salve-se quem puder entre os ministros”, que se acentuará com uma esperada vitória de Flávio Bolsonaro. Alexandre de Moraes seria também o bode expiatório dos pecados da tropa lulista na Corte.
O jogo deve ser bruto. O que não deveria acontecer, esta é a minha tese, é o envolvimento direto de Flávio nisso tudo. Ele já terá a oportunidade de anistiar o seu pai, Jair Bolsonaro, com uma das principais medidas do seu governo, e está de bom tamanho.
Mas o Senado, por sua vez, deve ser mais pesado e dar sinais claros para o ministro de que seus dias estão contados.
Dizem até que ele está com medo. Um durão medroso, vejam só. A moça do batom poderia dizer agora com maior segurança: “A casa caiu, mané!”





