A corrupção nossa de cada dia
Primeira Hora: É preciso superar esse nível de obscurantismo, onde proliferam desinformações e interesses de criminosos; não é um trabalho para ingênuos e devotos
É melancólico o processo de investigação do crime organizado no Brasil.
Há sempre uma força superior que impede o andamento do trabalho para que a verdade seja levantada com segurança e de forma abrangente.
Não é incomum o caso em que se tem a verdade, mas não se tem a autorização para torná-la pública.
Um mecanismo engenhoso é acionado, especialmente quando nomes de destaque da República entram na mira como envolvidos.
No judiciário, há o sigilo para impedir que a sociedade saiba de fato o que acontece nos bastidores da corrupção.
Mesmo com o empenho de especialistas em corrupção da Polícia Federal, quando o crime ganha dimensão política, o sistema de controle da informação se fortalece.
O trabalho de informação fica sempre no campo da suspeita, enfraquecendo sobremaneira a possibilidade de esclarecimento e condenação.
A não ser que o inimigo político esteja do outro lado do establishment. Aí tudo funciona muito bem, inclusive com suporte de invencionices judiciais para punir o adversário.
Não fossem os vazamentos para a imprensa, pouco se saberia sobre a bandidagem nacional.
O Brasil é um caso que merece estudos. Porque a corrupção no sistema é gerida e contornada pelo próprio sistema.
Como diria Tom Jobim, o Brasil é para profissionais. Profissionais em ocultamento e manipulação da verdade. Por isso, a força das narrativas.
Se a verdade não é revelada, propagar narrativas é uma forma de confundir o inimigo. E todos nós ficamos assim à mercê de trapaceiros.
É preciso superar esse nível de obscurantismo, onde proliferam desinformações e interesses de criminosos. Não é um trabalho para ingênuos e devotos.




