Uma leitura atenta à pesquisa Datafolha, publicada ontem (17), revela que algo minúsculo e silencioso está acontecendo com o eleitorado. Observe que a porcentagem de indecisos é de 3%, exatamente a mesma que distancia Lula (39%) de Flávio Bolsonaro (36%).
Claro que não dá para saber se esse público vai para Lula ou para Bolsonaro. Mas pode ser composto pelo mesmo eleitor que não tem coragem ainda de dizer em quem vai votar. Ele não é bem indeciso. Ele é cauteloso. O ambiente familiar ou profissional indica a ele que a melhor estratégia é o silêncio e não revelar seu voto.
Há ainda os eleitores de Caiado (4%), Renan Santos (3%) e Romeu Zema (2%). Juntos, somam 9%. É possível supor que este eleitorado, em um eventual segundo turno, não vote em Lula. Pelo menos o eleitorado de Caiado e de Renan Santos não votará em Lula em sua esmagadora maioria. O de Zema, pode ser que fique dividido, bem como o de Augusto Cury (6%).
O que eu firmo com estes números? Que, apesar de a simulação da Folha sobre eventual segundo turno ter dado 46% para Lula e 44% para Flávio — apenas 2% de diferença —, suponho que a distância entre os dois seja praticamente nula. E as medidas de boca de urna de Lula, como aumento de salário mínimo e promessa de caneta emagrecedora gratuita, podem arrastar a classe média aos braços de Flávio.
É só lembrar da picanha com cerveja que Lula ia facilitar para os brasileiros, conforme prometeu na eleição anterior. O eleitorado deve ter comido tanta picanha e tomado tanta cerveja que a saída agora, observada por Lula, é dar caneta emagrecedora a todos. Uma piada sem tamanho e de mau gosto, eu sei.
Por alguns quilos na balança, esta equação pode ser desfavorável para Lula. Inclusive porque ele é o campeão de não cumprir o que importa e fazer apenas o que lhe rende aplausos do seu público fiel. Além de petistas, seu público fiel é composto também por assistidos pelo governo federal. É a galera que virou bolsa.
Suponho ainda que não há mais nada para o presidente fazer que possa lhe dar vantagem nessa reta final. O brasileiro o conhece muito bem. Sua rejeição é altíssima, segundo o Lulômetro de oantagonista.com.br. Se essas últimas medidas não repercutirem como Lula espera, teremos a velha metáfora em evidência, aquela boa e manjada em que o feitiço se vira contra o feiticeiro. O segredo nessa regra final é não se impressionar com nada e fugir de feitiço.




