A proteção de Moraes
É uma tentativa de se prevenir do que tende a acontecer
Não são poucas as matérias jornalísticas, em veículos respeitáveis, que apontam para o empenho de Alexandre de Moraes na defesa do candidato Lula. A permanência do petista no poder seria uma espécie de proteção para que o Supremo não venha a sofrer com movimentos articulados e fortes de pedidos de impeachment de seus pares em um futuro breve.
Há uma expectativa muito forte de que o Congresso Nacional tenha uma maioria de direita a partir do próximo ano, com a eleição em peso de candidatos do centrão, o que, em tese, fortaleceria movimentos pró-impeachment de ministros do STF. Por isso, a necessidade de Lula e Moraes fixarem acordos com os representantes dessa ala, como Hugo Motta e Davi Alcolumbre. É uma tentativa de se prevenir do que tende a vir. A reunião recente de Alcolumbre com Lula, articulada por Moraes em sua casa, tinha essa tônica.
Moraes faz esse trabalho de articulação política pró-Lula com toda a sem-cerimônia, uma vez que é seu nome que está no topo da lista de ministros visados pela população. Ele sabe que, se não vencer essa batalha, estará com o pescoço à prova. Sendo assim, ele deixa de atuar como ministro do STF, o que exigiria uma postura mais rigorosa em defesa da Constituição, para agir em defesa de seus próprios interesses.
Há aí uma queda de postura que o coloca como uma peça disfuncional para a República, uma vez que ele se torna um político que atua com a lógica do centrão, e não como um ministro do Supremo -- o que exigiria isenção em uma corte constitucional --, ampliando ainda mais a necessidade de a sombra do impeachment se projetar sobre sua cabeça. Com isso, Moraes corre o risco de atuar de tal forma que toda sua ação recaia contra ele mesmo.
É tanta a esperteza que a população só observa, mas tende a cobrar no momento oportuno a correção dessa fuzarca de Moraes. Para corrigir toda a barbaridade que ele tem feito, somente com o impeachment. Mas vou além. Se a população ampliar a lente sobre o que acontece no momento, perceberá também que Lula se torna um fator de perigo para o equilíbrio dos poderes, já que suas ações são manipuladoras e vão na contramão do que ele costuma afirmar.
Se estas observações parecem mais óbvias do que se pensa, elas só não têm o peso para uma mudança radical de poder nesta eleição, pelo menos até este momento, porque o eleitorado não se identificou ainda com nenhum outro candidato, uma vez que o próprio Flávio Bolsonaro também carrega uma carga muito negativa em termos éticos e morais quando se pensa em uma mudança de rumo para o país.
Uma possível vitória de Lula, como apontam as pesquisas, seria, para Alexandre de Moraes, o sucesso de seu jeito de ser, focado em interesses pessoais e não no avanço institucional de um país que precisa urgentemente escapar desse labirinto de homens fortes e insensatos, para não dizer perigosos.





