Há várias formas de justificar a saída de Flávio Bolsonaro do país logo após o processo eleitoral. Duas delas se contrapõem e alimentam os extremos.
A petista básica diz que ele simplesmente fugiu da Justiça brasileira porque tem algo a temer. É uma tese autoafirmativa, usada por Lula.
A bolsonarista básica diz que ele seria preso por Alexandre de Moraes de forma injusta, o que coloca em dúvida a postura democrática do Poder Judiciário.
Mas é fato que o pedido para que Flávio entregasse seu passaporte à Polícia Federal e, consequentemente, não deixasse o país, pegou muito mal inclusive no próprio STF.
Segundo o site O Antagonista, quatro ministros consideram equivocada a ordem de Moraes, uma vez que a decisão saiu na noite de domingo, 25, no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmava a derrota do parlamentar.
Dois dos magistrados críticos integram a ala da Corte mais próxima de Moraes. Eles avaliam, segundo o site, que a medida foi tomada com pressa e sem fato concreto que a justificasse.
O Antagonista observa ainda que até mesmo parte do governo Lula vê problema na data escolhida. Por isso, a decisão causou estranhamento geral e soou como pura perseguição.
O poder exagerado e monocrático do xerife do STF pode ter amedrontado Flávio, que viu um risco elevado de ser preso sem que tivesse tempo hábil para se defender.
Ele vem sendo relacionado como o empresário Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro e por ser um possível operador financeiro do senador. Segundo a PF, eles seriam sócios ocultos e teriam até uma conta bancária em comum.
O mais engraçado nessa história é Lula afirmar que, quando teve seu passaporte apreendido durante a Operação Lava Jato, que o levou de fato à prisão, simplesmente aceitou a medida e permaneceu no Brasil.
“Permaneci para provar a minha inocência”, afirmou Lula de forma categórica e sem ficar vermelho. Ou melhor, sem demonstrar vergonha, porque vermelho ele já é. Essa fala é uma blasfêmia? Simplesmente porque ele nunca provou inocência alguma.
Há um exercício permanente entre os petistas para tentar limpar a barra de Lula no processo, que foi extinto pelo STF a partir do momento em que a brasa dos crimes cometidos se aproximava dos próprios ministros.
Gilmar Mendes comandou, na ocasião, uma nova tese, de viés político, como ele mesmo afirmou, para destruir a investigação e suas provas. Assim o fez.
Com a destruição do processo, Lula foi descondenado, e não absolvido. Por isso, é vergonhosa a fala de Lula, que sempre foi uma espécie de fake news perpétua do Brasil.
Tanto é que, nesta eleição, ao encontrar um Janones que potencializasse suas mentiras, houve um casamento perfeito. O parlamentar, que comandou o Exército de Lula durante a campanha, levou às últimas consequências a campanha do medo contra Bolsonaro.
Alimentado pelo medo, Flávio achou por bem buscar asilo político nos EUA. É uma história de país bananeiro. María Corina Machado fez o mesmo na Venezuela, sob Maduro. Mas lá havia ditadura escancarada.
A comparação entre a Venezuela e o que está acontecendo no Brasil com Flávio só amplia a visão de que o Brasil caminha para a deterioração de suas condições democráticas. E isso não é mentira.





