Desde quando você ouve falar que o candidato do PT à presidência da República é Luís Inácio Lula da Silva? Pois é, depende da sua idade. Mas o homem está na profissão (para ele virou profissão) desde o final dos anos 1980, quando se candidatou pela primeira vez para disputar o posto com o candidato de Alagoas, Fernando Collor de Mello (1989). Lá se vão quase 40 anos de mesmice.
O ‘Caçador de Marajás’ venceu o páreo, mas fez um governo breve, de apenas dois anos e nove meses. O motivo? Impeachment (em outro artigo, recordo esse episódio da história do Brasil). Seu sucessor foi o vice-presidente Itamar Franco. Outra figura folclórica, que fica para outro momento de retrospecto.
O sucesso do Plano Real, implantado por FHC, alavancou seu nome para ser candidato a presidente da República. O tucano, portanto, ganhou de Lula em 1994 e 1998. É bom observar que nesse período o presidente só poderia ter um mandato, mas FHC mexeu os pauzinhos (falam em corrupção braba) e conseguiu a aprovação para que seu nome estivesse novamente na urna da eleição seguinte e foi reeleito.
Em 2002, portanto, tem continuidade a saga lulista. Venceu as eleições nas costas de José Serra, o segundo nome na hierarquia do tucanato, mas que não conseguiu a proeza de desmontar a imagem de um Lula estrela, um Lula Paz e Amor, um Lula que salvaria o país das mazelas do Plano Real. Um Lula do marketing. Fiquem sabendo que o PT não votou a favor do Plano Real, que tirou o país do caminho da miséria infinita.
Com retórica populista, Lula se beneficiou dos ajustes do Plano Real e da realidade internacional, em que as exportações brasileiras estavam bombando, as commodities em alta e se reelegeu nas costas de ninguém mais, ninguém menos que Geraldo Alckmin, seu atual vice. Não é que o mundo dá volta. No Brasil, não saímos do lugar. Como não é novidade, Alckmin era um nome fraco, até mesmo entre os tucanos, para disputar a presidência.
Depois, Lula fez sua sucessora em 2010, porque são permitidos apenas dois mandatos consecutivos. Dilma Rousseff ganhou de José Serra e foi reeleita ao disputar com Aécio Neves. Desde FHC, tivemos um longo período de polarização em que, se o eleitor não fosse petista, era taxado de tucano. Novidade. Como hoje, se não é petista, é bolsonarista. Como se não houvesse mais nada nesse mundo das ideias fixas, presas aos extremos.
No segundo mandato, porém, Dilma, para fechar as contas e não cair na Lei da Responsabilidade Fiscal, deus umas pedaladas nas contas públicas e foi pega por isso. Sofreu Impeachment e teve que ser substituída por Michel Temer, seu vice.
Lava-Jato
Tudo começou em 2014. Investigações do Ministério Público e da Polícia Federam identificaram que empreiteiras pagavam propina a políticos e diretores da Petrobrás. Em troca, obviamente, vinham os contratos gordos, que resolviam tudo. Todos estavam felizes em Brasília.
Até que as investigações chegaram em Lula, que foi condenado em duas instâncias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no famigerado caso do “Triplex do Guarujá”, um apartamento que não era dele, mas era dele, um presente da empreiteira OAS. Isso se deu em 2018, até que o Supremo decidiu que a prisão só poderia acontecer após trânsito em julgado.
Foi um truque para libertá-lo, porque até então, a prisão se dava após condenação em segunda instância. Os petistas não se cansam de dizer que Lula foi absolvido pelo STF, o que é mentira. Ele foi libertado e sua condenação foi anulada a partir de um novo entendimento do STF sobre condenação em segunda instância. Mas nenhuma das provas sobre seu envolvimento nos esquemas de corrupção foi negado. É o jeito STF de agir. Construiu falhas no processo para encerrar o caso e não se falou mais das provas.
Nova eleição
Em 2019, portanto, Lula estava livre para voltar à política e foi eleito presidente ao disputar com Jair Bolsonaro em 2022. O Brasil elegeu um ex-condenado a presidente da República. Bolsonaro, por sua vez, havia sido eleito em 2018 contra Fernando Haddad, o ‘Porte de Lula’ enquanto estava pagando pena. E assim se pensava ter chegado ao fim de um ciclo, com o PT colocando um nome novo para o páreo de 2026. Mas não foi o que se deu. O homem quer mais.
Aos 80 anos, a velha estrela quer comandar o pleito e se diz forte o bastante para a missão. Tudo bem que estamos em uma democracia e a participação é livre. Mas para quem conhece os partidos políticos, sabe que eles têm dono. E Lula é o dono do PT. Só larga o osso quando estiver incapacitado ou morrer. Ele não pensa e nunca pensou em fazer um sucessor.
O PSDB até que tentou. Mas nunca teve nomes competitivos como o de HFC e muitos deles acabaram também se envolvendo em falcatruas, como é o caso de Aécio Neves. Agora temos os Bolsonaros, com mentalidade de poder interminável, dinástica e discursos erráticos sobre moral, poder e Brasil. Sem projeto. Outra história cansativa.
Depois de perder a última eleição para Lula e ser preso devido ao episódio de 8 de janeiro de 2023, por tentativa de Golpe de Estado, Jair Bolsonaro escolheu seu filho Flávio Bolsonaro para ser seu sucessor nas eleições contra o septuagenário Lula da Silva. E a lusitana roda. Parece que o Brasil não sai do lugar. Não há renovação. Sem nomes novos para a presidência, com força eleitoral, e sem mentalidades novas para o desenvolvimento do país, vivemos o eterno retorno de quem nunca se foi.




