Acipi: Um congresso energizado
Casa cheia, havia muita vibração no ar e parecia que o público estava disposto ao desafio, uma vez que o tema era essencialmente provocativo
Gustavo Borges, Roberto Tranjan e Sabina Deweik, palestrantes do 20 Congresso Empresarial da Acipi
O 20º Congresso Empresarial da Acipi, realizado no dia 2 de junho, no Teatro Municipal Dr. Losso Netto, sob o tema “O Futuro dos Negócios é Humano e Artificial” foi mais do que um encontro para troca de informações e de ideias sobre o uso da Inteligência Artificial nos negócios. Foi uma explosão de energia.
Casa cheia, havia muita vibração no ar e parecia que o público estava disposto ao desafio, uma vez que o tema era essencialmente provocativo. Qual seria de fato o potencial desta ferramenta altamente desruptiva, como diriam os Schumpeterianos, de causar danos ou trazer à luz um amanhã mais seguro para os negócios e para a humanidade?
A controvérsia estava inclusive entre os palestrantes. A mais ousada, que chegou a colocar a IA em uma dimensão quase sobre-humana e não apenas como uma ferramenta, a depender das circunstâncias, foi Sabina Deweik, que falaria sobre “Tecnologias aumentadas, humanos expandidos”.
Para ela, mais do que uma ferramenta, a IA pode ser vista inclusive como agente autônomo, capaz de tomar decisões sem ordem de comando externo (humano).
Sua preocupação central era com as tendências. A depender da intensidade dos sinais, a tendência estaria mais do que consolidada e direcionando as decisões empreendedoras. No caso da IA, não se trataria, portanto, de uma tendência, mas sim, de uma realidade.
O fato é que, diante de tamanha complexidade do tema, seria impossível, segundo ela, uma avaliação de pura tendência ou de uma realidade. Seria necessário um complexo de informações para a avaliação do assunto, composto por uma infinidade de tendências e de realidades.
O Teatro Dr. Losso Netto ficou pequeno para um evento que cresce a cada ano
Nesse sentido, o trabalho de diagnóstico teria que ser coletivo. Nesta mesma linha seguiu o atleta Gustavo Borges. Seu tema: “Liderança, consciência e mentalidade forte na construção do futuro dos negócios”.
Ele fez muitas analogias entre a vida de um atleta (natação era seu métier) ganhador de muitas medalhas mundiais que ele foi e o empreendedor, que precisa estar seguro do seu objetivo e trabalhar com determinação, sempre aberto à dinâmica do mundo que o rodeia.
Segundo ele, para se chegar ao objetivo, acertos e erros são necessários. Perseverança e muito treino são necessários. Além, evidentemente, dos valores morais sólidos, que devem ser o alicerce de toda família.
Roberto Tranjan abordou o tema “Cultura forte, fluxo vivo: o que líderes fazem diferente. Como alinhar pessoas, clientes e performance em um cenário de constantes mudanças”. Mais poético e senhor das analogias, comparou o momento em que o mundo vive diante da IA com as navegações portuguesas do período das descobertas.
Segundo ele, os portugueses também não sabiam qual seria o destino de suas travessias, no entanto, eram preparados para enfrentar o mar aberto. Estavam equipados para tal, o que facilitava a percepção do perigo, tomando assim medidas antecipadas para evitar o descontrole de suas aventuras.
Em analogia com as navegações, portanto, a IA seria o mar aberto. Ninguém sabe exatamente para onde ela vai nos levar. Mas é preciso, para Trajan, estar preparado para captar os sinais e tomar medidas a fim de transformar um eventual problema em oportunidades.
O encontro da Acipi foi uma grande oportunidade de relacionamentos entre agentes que buscam se posicionar melhor no campo do empreendimento, para não serem pegos por surpresas desagradáveis.
Maurício Benato estava otimista quanto a isso. “Ninguém vai sair daqui com a resposta definitiva sobre as dúvidas que levam consigo. Mas certamente terão mais força para enfrentá-las”, disse ao Viletim. “Estabelecemos aqui uma network para ampliar essas forças. Esta é a missão do Congresso. Não é à-toa que ele chega à sua 20ª. edição, trabalhando desde sua origem com o entendimento de que sempre há novas ferramentas, como o carro, o celular e a internet foram. Agora, temos a IA”.
Guilherme Gorga Mello, diretor da Escola de Negócios da Acipi, aponta que o próprio horizonte do tema deste ano se renova a cada dia. “Estamos apenas engatinhando no assunto, que tende a evoluir a fim de somar para que os negócios possam crescer e se desenvolver de forma sustentável. A IA vem para agilizar os processos e ampliar os negócios, é o que eu vejo no momento”.




