
Fruto de mais de uma década de pesquisas, o livro História das hortaliças no Brasil: do descobrimento aos tempos atuais, de autoria do engenheiro agrônomo e professor Paulo César Tavares de Melo, reconstrói a trajetória da olericultura nacional desde o período anterior à chegada da esquadra portuguesa até as inovações tecnológicas do agronegócio contemporâneo. A publicação, lançada com o apoio da Associação Brasileira de Horticultura (ABH), evidencia o papel das hortaliças como elementos centrais na formação cultural e econômica do País.
Com mestrado e doutorado em Melhoramento Genético de Plantas pelo Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, o autor lecionou na graduação e na pós-graduação da instituição e tornou-se referência internacional no melhoramento genético de hortaliças para ecossistemas tropicais.
Com linguagem fluida e rigor documental, Melo revela os bastidores do desenvolvimento tecnológico que transformou pequenos cultivos familiares em um dos segmentos mais dinâmicos e competitivos do agronegócio nacional. O autor mostra que a evolução da olericultura brasileira resultou da convergência entre história, ciência e avanços técnicos.
Segundo Melo ,“tudo se desenrolou desde as matas exuberantes do litoral do sul da Bahia, onde os povos originários já consumiam hortaliças e frutas nativas desse bioma antes mesmo da chegada portugueses, em 1500, até a diversificada oferta de hortaliças no Brasil contemporâneo. Nas minhas anotações sobre o tema busquei apresentar um espelho das transformações sociais, econômicas e culturais da olericultura brasileira em seus diferentes ciclos de desenvolvimento”.
Dividida em três partes e composta por 11 capítulos, a obra traça um panorama histórico desde o consumo de espécies nativas pelos povos originários e os primeiros registros do período colonial, como os relatos da carta de Pero Vaz de Caminha. Em seguida, o autor detalha as transformações do setor ao longo do século 20, impulsionadas pela imigração japonesa a partir de 1908 e pelos impactos do período pós-Segunda Guerra Mundial. O livro aborda ainda a modernização da cadeia produtiva, a diversificação da oferta, o desenvolvimento de variedades adaptadas a climas tropicais e as perspectivas de sustentabilidade para o futuro do setor.
A terceira parte da obra apresenta um panorama da cadeia produtiva das hortaliças, com foco em três aspectos: a modernização da produção e da comercialização, a diversificação da oferta ao consumidor e a ampliação dos canais de distribuição. A seção final também aborda os principais desafios e as perspectivas para o futuro do setor.
Há mais de dez anos, o autor se dedica ao estudo de aspectos históricos relacionados às hortaliças nativas dos biomas brasileiros e àquelas introduzidas durante o período das grandes navegações portuguesas. Para ele, a história da olericultura no Brasil é uma narrativa de resistência, paciência e adaptação. “As hortaliças, mais do que meros alimentos, são protagonistas silenciosas da nossa cultura alimentar. O que se segue agora não é um ponto final, mas um convite a reflexão e a ação”, afirma. “O próximo capítulo dessa história será escrito por produtores, cientistas e gestores públicos, pois a minha expectativa é de que a história iniciada há mais de cinco séculos se projete em um futuro de maior progresso e sustentável para as gerações vindouras”, concluiu o autor.
Como a primeira tiragem da obra se esgotou rapidamente após o lançamento, os interessados podem consultar a disponibilidade de novos exemplares diretamente com o autor, pelo e-mail pctmelo@esalq.usp.br.
Texto adaptado de Alícia Nascimento Aguiar, da Divisão de Comunicação da Esalq | Jornal da USP.





