Ainda é cedo
Lula e Flávio: Um dos dois deve estar errado, evidentemente, porque a tese de um exclui a tese do outro
Pelo que se lê na imprensa, Lula está convicto de que ganhará a eleição presidencial no primeiro turno.
Por isso, intensifica seu atrito contra os Estados Unidos, por exemplo, tentando usar a tese da soberania como isca de voto. O discurso antiamericano lhe daria o empurrãozinho de que precisa. Será?
Pelo que se lê na imprensa, Flávio Bolsonaro tem radicalizado seu discurso na certeza de que terá voto suficiente para ir ao segundo turno contra Lula.
O sangue bolsonarista, segundo o que a ala radical que o defende, manteria a tropa unida para fazer frente ao adversário.
Um dos dois deve estar errado, evidentemente, porque a tese de um exclui a tese do outro. De qualquer forma, o jogo de cena está se intensificando e levará o jogo político a um ponto-limite.
E qual seria o ponto-limite? Imagine que o radicalismo de Lula possa tirar voto dele ao invés de somar, uma vez que o antilulismo é forte no país. Aí ele estaria dando corda para o crescimento do eleitorado nem-nem e do adversário.
Imagine também que o radicalismo de Flávio tire voto dele e, com isso, o voto antibolsonarista se fortaleça, dando corda ao nem-nem e ao lulismo.
Com isso, teríamos um terceiro candidato bem mais forte. No entanto, segundo a percepção atual, sem voto suficiente para ir ao segundo turno, mas capaz de provocar uma nova composição do eleitorado e das forças políticas em ambos os extremos.
O resultado seria três candidatos com quantidade de votos razoável, mas nenhum com voto suficiente para ser o vencedor. Nesse sentido, o segundo turno seria um deus nos acuda de alianças para tentar compor com Lula e com Flávio.
A depender da composição, haverá uma distensão tanto do eleitorado de Lula como de Flávio.
Mas se Flávio tiver um mínimo de capacidade para manter equilíbrio, parcela expressiva do eleitorado antiLula poderá ir com ele. Se Lula também tiver juízo, o voto antiBolsonaro irá com ele.
A síntese da ópera seria uma eleição do “anti” e não do a favor. Um voto útil, sim, mas raivoso, de um eleitor indisposto a aceitar conversa fiada, que tinha tudo para ser voto em branco ou nulo.
Quem ganharia? Ainda é cedo para cravar isso como Lula pensa. Ainda é cedo para cravar isso como Flávio pensa.




