Celly Campello
Considerada a pioneira do rock brasileiro, ela abandonou uma carreira em ascensão em 1962 para se casar com seu namorado de infância. Dona de megahits eternos como Estúpido Cupido e Banho de Lua, ela estava cotada para apresentar o programa Jovem Guarda na Record ao lado de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.
No entanto, contrariando o espírito rebelde do rock’n’roll, gênero musical do qual ela foi uma das iniciadoras no Brasil, Celly escolheu se afastar dos holofotes para viver com o contador José Eduardo Gomes Chacon, trocando o estrelato pela vida familiar em Campinas, onde o casal viveu até o fim da vida.
Embora Celly tenha, é certo, realizado gravações entre 1968 e a década de 1970, viveu uma volta mais efetiva aos palcos a partir de 1972. Participou do Festival de Música Popular de Juiz de Fora (1972). Em seguida, ela e o irmão Tony Campello participaram do Festival Hollywood Rock, em 1975. Suas apresentações, além das de Raul Seixas, Rita Lee e Erasmo Carlos, foram tão marcantes que renderam um documentário, Ritmo Alucinante (1976), com roteiro e direção de Marcelo França.
Mas ela voltou a “estourar” com a telenovela Estúpido Cupido (1976), da Rede Globo, quando, além de regravar seu sucesso que deu nome à novela, ainda participou como atriz, interpretando a si mesma, nos últimos capítulos da trama.
Ela fez sua última turnê entre 1976 e 1977, e gravou seus últimos compactos com o irmão Tony em 1979. Eram seus últimos “suspiros musicais”, que ainda vinham do sucesso dos megahits na telenovela. Depois disso, voltou a se apresentar apenas esporadicamente, na TV, nos anos 1980.
Celly faleceu em 2003, e José Eduardo Gomes Chacon, em 2023.
Silvinha Araújo
Silvinha Araújo e Eduardo Araújo formaram o Casal 20 da Jovem Guarda. Apaixonaram-se quando Eduardo apresentava o programa O Bom, na TV Excelsior; além do programa, Silvinha também era “figurinha carimbada” nos programas concorrentes Jovem Guarda (TV Record) e Os Brotos Comandam (TV Tupi).
Os dois se casaram em 1969, em uma cerimônia que parou a cidade de São Paulo.
Alguns de seus sucessos: Minha Primeira Desilusão (1967), Vou Botar Para Quebrar (1967), Feitiço de Broto (1967) e Não Resisti (1969).
Ela não abandonou a música em definitivo. Manteve sua atividade musical depois do casamento, conciliando a carreira de cantora com a vida familiar e, posteriormente, com uma intensa atuação na publicidade.
Após o casamento e o nascimento dos filhos, Silvinha diminuiu drasticamente o ritmo de shows e turnês, mesmo não tendo abandonado completamente a música. Embora tenha vendido mais de 1 milhão de discos, ela preferiu trocar a desgastante rotina de estrada por uma carreira de estúdio, tornando-se uma das vozes de jingles publicitários mais requisitadas do país (gravando mais de dois mil jingles para comerciais).
Ela e Eduardo ficaram juntos até o falecimento da cantora em 2008, num casamento que durou 39 anos.
Lílian Knapp (da dupla Leno & Lílian)
Lílian Knapp não tinha relacionamento amoroso com Gileno Osório Wanderley de Azevedo, o Leno: o romance era somente parte da performance musical e de palco. Ela casou-se em setembro de 1967 com o cantor Márcio Antonucci (da dupla Os Vips, outra febre da Jovem Guarda), mas antes disso, teve um relacionamento marcante com Renato Barros (líder do Renato e Seus Blue Caps). Alguns dos sucessos da dupla foram compostos por Renato.
Mas segundo a própria Lílian, a dupla não se separou por causa do casamento dela - o que contradiz o título deste artigo, eu sei, mas o casamento foi próximo da data de separação da dupla, em 1968, então…
A dupla Leno & Lílian alcançou um enorme sucesso com hits como Devolva-me (1966, composição de Renato Barros e Lílian) e Pobre Menina (1966, versão em português de Hang On Sloopy, de autoria de Leno; a música era lado B do primeiro compacto de sucesso com Devolva-me e fez tanto sucesso quanto o lado A).
Segundo Lílian, a dupla seguiu caminhos separados, “por saturação do formato e divergências profissionais”. Lílian tinha também o desejo de focar na vida familiar e na filha, mais um motivo para desfazer a parceria.
Ela acabou ficando um tempo afastada e alheia ao meio artístico. No entanto, como ela mesma declarou, anos depois, continuou compondo e criando versões, mesmo afastada dos palcos.
Ela acabou voltando, nos anos 70, à carreira musical: ela e Márcio se separaram no início da década. Ela tentou uma breve volta com Leno e, posteriormente, estourou em uma carreira solo repaginada com o megasucesso Sou Rebelde (1978, dos espanhóis Manuel Alejandro e Ana Magdalena, versão em português da própria Lílian), provando que a pausa não apagou seu brilho musical.
Perla Paraguaia
Naturalizada brasileira, Ermelinda Pedroso Rodríguez D'Almeida, conhecida como Perla e também Perla Paraguaia (diferenciando-a de Perlla do funk carioca), foi um dos maiores fenômenos de venda de discos no Brasil nos anos 1970 e 1980 com os sucessos Galopera (1978, composição do músico paraguaio Maurício Cardozo Ocampo) e Fernando (1976, versão em português do sucesso do grupo ABBA, de autoria de Perla e Wally), cujo compacto vendeu mais de 1 milhão de cópias.
Perla, ao longo de sua carreira, alcançou a impressionante marca de 15 milhões de discos vendidos, conquistando 11 discos de ouro, 2 de platina e 1 de platina dupla.
Ela se apresentava no Paraguai com seu pai e irmãos no grupo Las Maravillas del Paraguay. Resolveu tentar a sorte em carreira solo no Brasil, indo morar no Rio de Janeiro.
No topo do sucesso, casou-se com o empresário Fabiano Ramirez. Um casamento de 25 anos extremamente abusivo, tóxico e violento, segundo a cantora em entrevistas concedidas na década de 2000. O forte controle pessoal e profissional exercido na relação fez com que ela vivesse períodos de isolamento e de afastamento temporário dos grandes veículos de comunicação, segundo a cantora.
Perla declarou que ele ditava todos os seus passos, a isolava de amigos, familiares e fãs e que ela se sentia como “um robô” que só tinha permissão para ficar calada e cantar. Esse ambiente doméstico aprisionador e o controle severo teriam drenado a energia de sua carreira, impedindo-a de aceitar convites que poderiam proporcionar grande projeção internacional e forçando-a a sumir, de tempos em tempos, das grandes mídias.
Para além da violência psicológica e física (ela relatou ter sofrido agressões que a levaram a passar por cirurgias oculares), o ex-marido teria roubado grande parte de sua fortuna acumulada no auge do sucesso. Após a separação e o posterior falecimento dele, Perla passou por severas dificuldades financeiras.
Sandy
Embora Sandy Leah Lima nunca tenha abandonado a música, o seu casamento de 15 anos com o músico Lucas Lima (em um relacionamento que durou 24 anos ao todo), de 2008 a 2023, ditou um planejamento de carreira que tentou conciliar a vida familiar e a maternidade.
Sandy & Junior, filhos de Xororó (da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó), apresentaram-se em 1989, quando ela tinha 6 anos e o irmão, 5, apresentaram-se em 1989, com a música Maria Chiquinha, no programa “Som Brasil”, da TV Globo, apresentado na ocasião por Lima Duarte. Em 1991, eles acabaram por lançar o primeiro LP e seguiram juntos em uma carreira de enorme sucesso até 2007.
Sandy casou-se em 2008, escolhendo reduzir a escala de seu trabalho. Embora nunca tenha abandonado a música, Sandy passou a conciliar a carreira solo com a vida familiar e a maternidade, incluindo uma pausa temporária nas apresentações após o nascimento de seu filho, em 2014.
Em 2019, os irmãos se reuniram brevemente para a turnê comemorativa Nossa História, que celebrou os 30 anos de sua primeira aparição na TV.


