Alunos de escola pública de SP terão incubadora de talentos
Projeto Gauss, que aprova 8 em cada 10 vestibulandos com reforço escolar e tem mentoria de executivos de grandes empresas, vai iniciar programa piloto no ensino médio da capital em 2027
O Projeto Gauss, incubadora de jovens talentos reconhecida nacionalmente por aprovar oito a cada dez estudantes em vestibulares, vai adotar sua metodologia em um programa piloto para alunos de ensino médio da capital paulista.
Criado por ex-alunos da USP, o programa atua há mais de uma década apoiando estudantes da rede pública com uma combinação de reforço acadêmico, mentoria com executivos de grandes empresas, orientação vocacional e acompanhamento psicológico. Mais de 260 jovens já ingressaram em universidades de excelência por meio do projeto _alguns seguiram para carreiras em instituições globais.
Em um ano de Gauss, Lígia Pereira da Silva foi aprovada em três universidades públicas do Estado de São Paulo. (Crédito: Divulgação)
Ligia Pereira da Silva, de São Paulo, entrou no Projeto Gauss em 2024 e, em 2025, passou em cinco universidades de renome, sendo três públicas: ESPM, FGV, Unicamp, Unesp e USP, tendo escolhido a última para cursar administração. “O Projeto Gauss mudou minha vida e pode mudar a de outras pessoas também”, comentou a gaussiana.
Hoje, o Gauss está presente em São Paulo, Aracaju, Brasília, Curitiba e Salvador, além de atuar em todo o Brasil por meio do Ensino à Distância (EAD). Segundo a CEO da organização, Valeria Grossmann, o desempenho dos alunos reflete um modelo que vai além do reforço escolar.
“Nossa taxa de aprovação está próxima à das escolas de elite, mas com um perfil de alunos completamente diferente. Isso mostra que, quando você combina suporte acadêmico com desenvolvimento pessoal, o resultado muda”, afirma a CEO.
O processo de desenvolvimento do Gauss, que atende a centenas de estudantes, inclui ainda bolsas de estudos em cursinhos de ponta e fornece notebooks, vale-transporte, auxílio refeição e outros benefícios.
Apoiada pelo Projeto Gauss desde 2017, Nicole Rodrigues Cardoso, de Itabaianinha (SE), passou em medicina na Faculdade Santa Marcelina e formou-se em 2025. Atualmente ela é residente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Nicole Rodrigues Cardoso e Antonio de Jesus Lima, gaussianos aprovados em medicina na Faculdade Santa Marcelina (Crédito: Divulgação)
Antonio de Jesus Lima, também de Sergipe, seguiu o mesmo caminho. No Projeto Gauss, desde 2018, ele passou em medicina na Faculdade Santa Marcelina em 2020. “Eu estudava o suficiente para não reprovar e de repente apareceu o Projeto Gauss e vi que era minha chance. Fui aprovado no programa e acreditaram em mim. Sou muito grato e meu desejo é que eles cresçam cada vez mais, porque vai mudar a vida de diversas outras pessoas”, relata o hoje médico residente Lima.
“A ideia sempre foi atacar um problema estrutural: o Brasil não tem falta de talento, tem falta de acesso”, afirma Samuel Guimarães Filho, um dos fundadores do Gauss. “A gente conecta esses jovens a pessoas e repertórios que normalmente não estariam disponíveis para eles”.
DOAÇÕES QUE MUDAM VIDAS
Com orçamento ainda limitado, o projeto depende da mobilização de doadores para crescer. A organização agora prepara um novo movimento de expansão. O plano é dobrar o número de jovens do ensino médio atendidos até 2030.
“Já provamos que o modelo funciona. O desafio agora é escalar com qualidade e levar isso para muito mais gente”, diz Roberto Funari, conselheiro e mentor do Gauss, ex-CEO da Alpargatas.
Hoje, pessoas físicas podem destinar até 3% do Imposto de Renda devido para apoiar a iniciativa por meio do Fumcad (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), sem custo adicional. Para quem tem imposto a restituir, o valor retorna no próprio exercício. A expectativa é que, com mais recursos, o modelo possa ganhar escala e alcançar um número maior de jovens em diferentes regiões do país.
Mais informações sobre o Gauss e o processo de doação podem ser obtidas no site (Link).




