Piracicabano Andrei Bressan, desenhista da DC e Marvel, lança “Caracuz”
Artista já desenhou quadrinhos de Batman, e a série “Birthright”, que teve os direitos comprados para produção de filme pela Universal Pictures
O piracicabano Andrei Bressan, desenhista que trabalha para DC Comics (“casa” do Superman, Batman, Flash) e Marvel (“casa” do Homem de Ferro, Thor, Hulk, Vingadores), além de outras editoras de histórias em quadrinhos, lançou seu primeiro trabalho autoral, a revista em quadrinhos “Caracuz”.
A história tem roteiro e desenhos de Bressan e cores de Adriano Lucas (profissional colorista também das editoras americanas citadas). A publicação é realizada como Edição de Autor (bancada com recursos próprios), com distribuição pela Echoes of Narratives.
A revista teve o lançamento oficial durante a CCXP – Comic Con Experience, a maior convenção de quadrinhos e cultura pop do Brasil, em São Paulo. O evento aconteceu em 2025, entre os dias 4 a 7 de dezembro, e Bressan esteve durante esse período para distribuir a revista, autografar seus trabalhos publicados nos gibis americanos e oferecer para venda originais das artes realizadas para as editoras majors dos EUA.
A revista “Caracuz”, com 18 páginas de HQ’s, é um prólogo para a história completa que Bressan planeja há anos. Esta edição, portanto, é um trailer de uma história bem maior, na qual somos apresentados a quatro personagens de uma turma de amigos – os Caracuz – com visual de roqueiros “barra pesada”.
Não é o caso de dizer que sejam quatro rapazes “normais”, e sim, completamente desenquadrados de qualquer normalidade. Aliás, a sua normalidade é aquela dos que usam seu tempo com drogas, bebidas, sexo, brigas (muitas brigas)... o que os une numa amizade a qual não sabemos (ainda) de onde vem. A grande surpresa é serão eles a chave para a mudança do destino de toda a Humanidade.
O nome “Caracuz” remete à cultura de boteco (para quem não sabe, “caracu” é a marca de uma cerveja preta, forte e amarga, a qual pode ser batida no liquidificador com um ovo, mistura considerada afrodisíaca ou recuperadora da virilidade), um elemento bem brasileiro. Bressan criou os personagens ambientando o enredo no Brasil, partindo da cultura urbana moderna, misturando a influência da cultura globalizada com a realidade violenta das nossas metrópoles. Como você vê nas imagens desta matéria, o visual dos Caracuz é inspirado em celebridades do rock dos anos 70 e 80, como Iggy Pop, Sid Vicious e os músicos da banda Ramones.
Tudo temperado com magia, gnosticismo e o elemento fantástico e de terror que caracterizam boa parte do trabalho do desenhista. Em “Caracuz”, veremos figuras prediletas de Andrei Bressan como lobisomens, monstros e feras subumanas, ao lado de figuras “pesadas” internacionais, envolvidas com magia e misticismo, atraídas para o novo “eixo místico do mundo”, o Brasil.
Vale, portanto, o aviso, que vem impresso na contracapa da publicação: “Leitura para Adultos”. Apesar de ser um gibi – o que muita gente ainda associa como gênero de leitura exclusivo de crianças -, os temas, e a forma como o autor os trata, serão sensíveis para muita gente.
Piracicabano na indústria mundial de quadrinhos
Graduado em Publicidade e Propaganda na Unimep, Andrei Bressan estudou desenho e pintura com vários professores de arte em Piracicaba, entre eles Cássio Padovani, simultaneamente estudando por conta própria.
Um acontecimento trágico mudou sua vida: um acidente de carro, quando por pouco não faleceu. Ficou muito tempo internado em UTI, com amnésia, e levou quase dois anos se recuperando. Durante esse tempo, tomou a decisão de dedicar todo o seu tempo para realizar o seu sonho de se tornar um profissional dos quadrinhos.
Foi aprimorar sua formação, inscrevendo-se como aluno especial da graduação no Instituto de Artes da Unicamp. O professor de pintura Álvaro Bautista, titular do curso de Artes Plásticas, o aceitou como aluno prontamente, ao ver o seu portfólio. Foi durante este período na universidade em Campinas que Bressan criou os Caracuz, tendo a colaboração, nas primeiras versões da HQ, dos colegas de curso Vitor Gorino e Marcos Vinícius Ferreira.
Bressan sabia da existência da Quanta Academia de Artes, em São Paulo, escola que se especializou em formar profissionais de desenho para trabalharem nas grandes editoras do mercado americano. A Quanta realizava leituras de portfólios, fazendo a ponte com as editoras americanas com os artistas daqui através da agência Art&Comics. Andrei levou, portanto, sua bagagem para ser “polida” na Quanta. Pretendia inicialmente se oferecer no mercado como ilustrador.
Ao preparar o portfólio para uma leitura por Joe Prado (artista brasileiro conceituado nos EUA, e agente na Art&Comics) e Eddie Berganza, colorista dos EUA, resolveu incluir páginas de quadrinhos, por volta de 2007. Prado respondeu, ao ver os trabalhos: “Se você fizer mais páginas como essa, eu arranjo trabalho para você nos EUA rapidinho”. Andrei acabou não levando para a frente a recomendação, mas as coisas mudaram dois anos depois.
“Em 2009 eu e o Marcelo Maiolo [piracicabano, há anos colorista conceituado no mercado americano] fizemos uma sequência de páginas com o Gambit, ele fez a cor e eu a arte. E quando postamos o preview fomos chamados pra Art&Comics na mesma hora”. Ele e Maiolo foram agenciados. Andrei desenhou o seu primeiro trabalho para a revista DC Halloween Special em 2009, uma HQ com o Kid Flash.
Andrei faz todo o trabalho em seu estúdio, em Piracicaba, e o envia digitalmente para os EUA. Muitas horas de trabalho diárias, incluindo finais de semana, que começam de manhãzinha, e às vezes adentram a noite. Tudo para cumprir os prazos: para desenhar o revista mensal de “Void Rivals”, da qual é o desenhista titular atualmente, com 20 a 26 páginas por número, os prazos são apertados. É comum ter apenas cinco semanas de antecedência para desenhar todas as páginas.
O artista já desenhou páginas de Batman e Robin, Monstro do Pântano, Esquadrão Suicida e Lanterna Verde: Novos Guardiões para a DC Comics. Para a Image comics, desenhou páginas e capas e páginas para The Walking Dead, Destro, Dark Ride, e também para a Marvel, dos personagens Homem-Aranha, Venom, Hulk, Wolverine, e finalmente, os X-Men.
Um presente para Joe Perry, do Aerosmith
Seu grande sonho era desenhar as histórias em quadrinhos dos X-Men, mais especificamente, do personagem Gambit. Na história do personagem, ficamos sabendo que foi criminoso quando jovem, o que leva seus atuais parceiros superherois ficarem sempre desconfiados quanto à sinceridade de sua mudança. Um presente onde busca a redenção. Estas foram algumas das características de Gambit que atraíram Andrei. Assim como o visual descolado com sobretudo, palavras em francês soltas ao acaso no meio de uma conversa e as cartas de baralho arremessadas como projéteis.
Enfim, em 2025, o sonho realizou-se: Bressan desenhou o número 10 de “Uncanny X-Men”, o gibi oficial do grupo de personagens mutantes mais queridos do público aficcionado por superherois, produzido e publicado pela Marvel nos EUA. O desenhista caprichou na única página em que aparecia o seu personagem preferido com Rogue, a Vampira: buscou uma referência para desenhar a cena de romance em uma sequência de fotos de Joe Perry, guitarrista da banda Aerosmith, e sua esposa Billie Paulette.

Bressan publicou a arte no Instagram, no mesmo dia em que a banda lançou a canção, com Yungblud, “My only angel”, que foi utilizada na postagem. Aaron, um dos filhos de Joe Perry, viu o post e gostou muito da homenagem. Andrei conta: “Eu disse a ele que quando fiz aquela página, pensei em como seria legal poder dar de presente pro Joe. Disse também que por esse motivo tinha guardado a arte original comigo, não tinha a colocado à venda. Ele ficou super feliz e me perguntou se era isso mesmo que eu queria. Respondi que sim, reforçando que o mundo não tá muito bem das pernas e que vale a pena ser gentil”.
Bressan, portanto, deu de presente a Joe Perry a arte original da página. Ficou surpreso, e mais feliz ainda, quando pediu um endereço para enviar a arte, e Aaron passou o endereço da família, para enviar a arte diretamente para a casa do músico do Aerosmith.
Birthright
O maior trabalho de Andrei, até o momento, foi a revista “Birthright”, do selo Skybound, da Image Comics. Foi a primeira revista em que foi desenhista titular, e nela ficou do número 1 até o final, completando 50 números e 8 anos de trabalho contínuo, nos quais Bressan desenhou uma revista com publicação mensal, sozinho, de 20 a 24 páginas cada.
A história se passa em um mundo paralelo (criação de Joshua Williamson, que também escreveu os roteiros) que ameaça invadir o nosso. É uma mescla de fantasia, ficção científica e terror. Mas que está recheada de referências visuais a artistas como Michelangelo, Gustav Klimt e muitos outros.
O piracicabano desenha, atualmente, a revista mensal “Void Rivals”, escrita por Robert Kirkman e publicada pela Skybound, selo da Image Comics, com tema de ficção científica. Kirkman é criador da série The Walking Dead. A Skybound, de sua propriedade, foi justamente a empresa que comprou os direitos de “Birthright” para um filme a ser produzido pela Universal Pictures.
O futuro de “Caracuz”
Bressan recebeu dois presentes para a publicação deste prológo de “Caracuz”: desenhos originais dos personagens feitos por Glenn Fabry (Hellblazer, Preacher) e Simon Bisley (Lobo, Juiz Dredd). Os desenhistas atuam na indústria dos quadrinhos há mais de 40 anos e são referências para o piracicabano. “Foi uma honra enorme dois ídolos da minha infância fazerem artes originais para os meus personagens”, declara.
Bressan já está em negociações com uma editora brasileira para publicar a história completa de “Caracuz” em um álbum. Por enquanto, é possível adquirir uma revista “Caracuz” com o prólogo de 18 páginas da HQ, pelo contato da Echoes of Narratives. Peça uma “Caracuz”!
Contato Echoes of Narratives: https://echoesofnarratives.myshopify.com/
Siga Andrei Bressan no Instagram: @andrei.bressan









