O trabalho do médico anestesiologista começa antes de o paciente entrar no centro cirúrgico e vai além da administração de medicamentos para impedir a dor. Na avaliação pré-anestésica, o profissional analisa o histórico de saúde, os exames e os medicamentos em uso para planejar a anestesia e os cuidados necessários ao procedimento.
É o que explica o coordenador do Departamento de Anestesiologia da Santa Casa de Piracicaba, Júlio César da Fonseca Marra (CRM 152493 / RQE 37462). No Dia do Anestesista, celebrado em 16 de outubro, o médico destaca a importância desse acompanhamento em cada etapa da assistência.
“A anestesia não se resume a aplicar um medicamento. O paciente é avaliado antes, acompanhado durante todo o procedimento e monitorado depois, até a recuperação”, afirma.
Na Santa Casa de Piracicaba, a equipe de 20 médicos anestesistas contribui para uma assistência cirúrgica que somou 14.196 procedimentos em 2025 — média de 1.183 por mês, segundo o Departamento de Controladoria Hospitalar. A atuação desses profissionais envolve avaliação pré-anestésica, acompanhamento durante os procedimentos e cuidados na recuperação, com atenção às condições clínicas e às necessidades de cada paciente.
VIGILÂNCIA CONTÍNUA DURANTE A CIRURGIA
O anestesiologista atua em cirurgias de diferentes especialidades, com técnicas como anestesia geral, raquianestesia e peridural, além de sedação e bloqueios de nervos periféricos. A escolha considera o procedimento, as condições clínicas e as necessidades de cada paciente.
Nas cirurgias realizadas sob anestesia geral ou regional, o médico responsável pela anestesia permanece na sala durante todo o ato anestésico. Esse acompanhamento é necessário também quando o paciente está acordado: a ausência de sono não elimina a necessidade de monitoramento e cuidado contínuos.
Durante o procedimento, o anestesiologista monitora frequência cardíaca, pressão arterial, oxigenação e ventilação, além de avaliar as respostas do organismo à anestesia e à cirurgia. Quando necessário, ajusta medicamentos e adota medidas para tratar alterações e preservar as funções vitais.
Segundo Marra, a função exige conhecimento de farmacologia, fisiologia e fisiopatologia, além de familiaridade com outras áreas da medicina. “Um paciente cardiopata, um idoso, uma gestante e uma criança respondem de maneiras diferentes aos medicamentos. A conduta precisa considerar essas diferenças”, diz.
CUIDADO NA RECUPERAÇÃO
O término da cirurgia não encerra os cuidados relacionados à anestesia. Na recuperação pós-anestésica, o paciente permanece sob observação da equipe responsável, com acompanhamento das funções vitais, do nível de consciência e de sintomas como dor e náuseas, até apresentar condições para deixar o setor.
O planejamento anestésico também contempla o controle da dor após a cirurgia. Além da assistência aos procedimentos cirúrgicos, a especialidade pode atuar no tratamento da dor aguda e crônica.
ORIENTAÇÃO AO PACIENTE
Para o coordenador, a avaliação pré-anestésica é uma oportunidade de esclarecer dúvidas e reunir informações que contribuam para a segurança do atendimento.
“É importante informar alergias, doenças anteriores, medicamentos de uso contínuo e esclarecer dúvidas. Quanto mais completa a informação, mais seguro é o procedimento”, enfatiza.
Nesse momento, o paciente também recebe orientações sobre o preparo para a cirurgia, incluindo jejum e uso de medicamentos, conforme suas necessidades e o procedimento previsto.
MEMÓRIA DO DEPARTAMENTO
Em 2024, a Santa Casa de Piracicaba inaugurou a Galeria de Honra dos Anestesistas, em uma sala do Centro Cirúrgico. Foram homenageados Galaor de Araújo Filho, Isael Aranha Maia, Lineu Leonardi e Jorge da Silva, in memoriam, além de Ariovaldo Antônio Vendramin, José Augusto Ayres Hansted e Raimundo Coaraci Cabral de Castro.
A iniciativa reconheceu a contribuição desses profissionais para a trajetória da Anestesiologia na instituição e para o desenvolvimento da assistência cirúrgica do Hospital.




