Aprender um novo idioma pode proteger o seu cérebro
Estudo mostra que o aprendizado de línguas pode retardar efeitos do envelhecimento cognitivo

Um estudo publicado na revista Nature Aging mostra que pessoas bilíngues ou multilíngues têm maior proteção contra o envelhecimento cognitivo. Isso acontece porque, ao alternar entre idiomas diferentes, o cérebro faz um exercício constante de atenção, memória e flexibilidade mental - como se estivesse numa academia cognitiva.
O artigo, publicado em novembro de 2025, “Multilingualism protects against accelerated aging in cross-sectional and longitudinal analyses of 27 European countries”, pode ser lido, em inglês, acessando este link.
O especialista Raphael Ribeiro Spera, neurologista, membro do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento (GNCC) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (HCFM) da USP, explica que esse estudo já ocorre há muitos anos. “Essa parte de aprendizado de línguas já é estudada há bastante tempo e existe um conceito, que é o conceito da reserva cognitiva, que leva a uma resiliência cerebral. Pessoas com muitos anos de escolaridade, que façam atividades cognitivamente complexas – aprendizado de línguas, atividades artísticas, tudo isso melhora a conectividade cerebral, tornando o cérebro mais resiliente, ou seja, mais resistente a uma potencial agressão.”
O estudo tem como primeira autora a profa. Lucia Amoruso, pesquisadora do Centro Basco sobre Cognição, Cérebro e Linguagem (BCBL) de San Sebástian, País Basco, Espanha, e foi efetuado em 27 países europeus. Chegou-se à conclusão que o estímulo regular, a partir do aprendizado de idiomas, fortalece conexões neurais, retarda o aparecimento de sintomas ligados ao declínio cognitivo e até pode adiar em alguns anos os sinais de demência. Não importa qual idioma seja escolhido para aprender, todos exigem estímulo cognitivo, como memória e atenção. O especialista brasileira complementa, dizendo que até mesmo a prática de resolver palavras cruzadas contribui para a saúde do cérebro.
Benefício independe da idade
O estudo estabeleceu que não importa a idade em que a pessoa aprende um novo idioma. Começar na infância ajuda, mas adultos e idosos também podem colher benefícios importantes. “Não existe idade para começar, têm estudos que mostram que mesmo idoso que começa atividade física e cognitiva tem benefício”, diz Spera. O especialista, porém, alerta que, “sabe-se que memória de curto prazo, memória operacional e capacidade de lembrar nomes pode se reduzir de forma normal, de acordo com a idade. Cabe ao médico diferenciar o que é normal e o que é patológico”.
Aprender outro idioma, portanto, não serve apenas para viajar ou trabalhar melhor. É um investimento direto na saúde do cérebro, que fica mais ativo, mais ágil e, de certa forma, biologicamente mais jovem. “Quanto mais atividades cognitivas você fizer, quanto mais você cuidar da saúde, mais protegido você está”, concluiu o especialista.



