Panorama da gestão da arborização urbana no Brasil é apresentada em coletânea
Publicação idealizada por professor da Escola de Engenharia de Lorena da USP servirá como suporte prático e acessível à gestão pública

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou no dia 7 de maio, a Coletânea Brasileira de Arborização Urbana. O evento ocorreu em Brasília, durante o 3º Encontro do Programa Cidades Verdes Resilientes, e representa um marco para a infraestrutura verde no Brasil.
O projeto da coletânea nasceu no início da pandemia, com a ideia de se organizar um livro que auxiliasse gestores públicos a fazer a gestão e o planejamento da arborização urbana, uma vez que essa área nunca ganhou muita repercussão na literatura científica, quando comparada às outras áreas da ecologia conforme conta um dos idealizadores do projeto, Maurício Lamano Ferreira, professor da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP. “Durante a pandemia organizamos a proposta, contatamos os autores, bem como as entidades parceiras e corremos atrás de financiamento. O Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima comprou a ideia, uma vez que eles estavam organizando o Programa Cidades Verdes Resilientes, o maior programa de ‘esverdeamento’ de cidades já idealizado no País”, conta.
Lamano conta que a coordenação do projeto recebeu capítulos de mais de 550 autores de quase 100 instituições diferentes de todo o País. “Nós fizemos a revisão de cada capítulo e passamos para a etapa do projeto editorial.” Cada um dos cinco livros traz cerca de 550 páginas de informação descrita em uma linguagem simples e com muitos recursos visuais, uma vez que o público alvo não era somente a academia, mas sim os gestores “da ponta”, aqueles funcionários públicos que realmente fazem a arborização urbana acontecer.
Informação técnica, mas acessível
Como cada região do País tem um livro específico, os organizadores tiveram o cuidado de oferecer uma lista de espécies nativas a serem plantadas em todos os municípios brasileiros. Para cada estado, foram selecionados botânicos taxonomistas para fazer a indicação da lista florística a ser adotada como sugestão para as cidades. “Com isso, alcançamos todo o País com a abrangência deste projeto “, destaca Lamano.
Para o coordenador da coletânea, atuações simultâneas de cidades limítrofes e regiões irão reforçar a biodiversidade regional e gerar resultados ambientais positivos de forma mais rápida e consistente, como o início de uma regulação climática em todo o País. “É um ganho coletivo para população e para o meio ambiente”, declara o professor.

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Escrita à muitas mãos, a coletânea contou com pesquisadores da USP, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) , Zabotto Ambiental e Ministério do Meio Ambiente, e teve envolvimento de dezenas de especialistas de instituições de todo o País a fim de contribuir para o futuro das cidades brasileiras.
A publicação é composta de cinco volumes, cada um dedicado a uma macrorregião brasileira (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul). Reúne conhecimento técnico produzido por pesquisadores de todo o País, com orientações sobre manejo e gestão da biodiversidade urbana, além de oferecer listas de espécies nativas adequadas para o plantio em cidades, considerando critérios como compatibilidade com calçadas e redes elétricas. A iniciativa também destaca a importância da inclusão social no planejamento urbano, ao defender a democratização do acesso às áreas verdes e a ampliação da arborização em periferias urbanas.
Para mais informações e download das publicações da Coletânea Brasileira de Arborização Urbana clique aqui.
Matéria: Simone Colombo | Jornal da USP.




