Após um passeio em família pelo bairro Monte Alegre, na pensão da minha tia Maria, voltávamos para casa exaustos. Agosto era um mês de muito vento e o domingo, ao anoitecer, era motivo de muita tristeza. Uma tristeza animal que me abatia sem um sentido fácil de explicar.
No sábado, meu pai havia amontoado todos os lixos da casa e colocado fogo. Mas sempre ficava uma brasa queimando no chão que demorar tempo para se apagar e nem sempre consumia todo o lixo em uma só rodada. Recordo que ao voltarmos do passeio tivemos a impressão de que nossa casa estava em chamas. Parecia uma tragédia.
Demoramos para ter a certeza de que o fogo era apenas no fundo do quintal e nos esquecemos de que meu pai havia queimado lixo na tarde do dia anterior. Imagine a cena: um domingo ao escurecer, que já era para ser triste, teve a ajuda de um fogo que parecia devorar a nossa casa. Não recordo qual dos irmãos teve a coragem de se aproximar melhor para saber o que de fato estava acontecendo, porque chamávamos os nossos cães desesperadamente e nada de eles aparecerem. “Meu Deus, é o inferno. Estão todos mortos. Estamos perdidos”, eu pensava.
Quando se descobriu que era apenas um fogo pontual, que foi revitalizado devido ao vento, ficamos muito aliviados. Quando eu cheguei no fundo do quintal, vi os nossos cães ditadinhos perto do fogo. Eles se aqueciam do frio provocado pelo vento. Dava até a impressão de que se tratava de uma fogueira de São João e eles aguardavam a batata assar para mover a brasa.



