Asma exige controle contínuo para evitar crises graves e internações
Doença inflamatória pode evoluir rapidamente em quadros agudos; acompanhamento regular é fundamental para prevenir descompensações
O alerta é do pneumologista Murilo Piva
O Dia Mundial de Combate à Asma, lembrado em 6 de maio, reforça a importância do diagnóstico adequado, do acompanhamento contínuo e da adesão ao tratamento para o controle de uma das doenças respiratórias crônicas mais prevalentes no mundo. Caracterizada por inflamação das vias aéreas, a asma apresenta evolução variável, alternando períodos de estabilidade com episódios de exacerbação que podem comprometer de forma significativa a respiração.
Na prática clínica, o controle da doença é o principal fator para a manutenção da qualidade de vida do paciente. Quando bem conduzida, a asma permite que o indivíduo mantenha suas atividades habituais com segurança. No entanto, a ausência de seguimento médico regular, o uso inadequado das medicações e a exposição a fatores desencadeantes — como poeira, poluição, mudanças climáticas, infecções respiratórias e diferentes estímulos ambientais — aumentam consideravelmente o risco de crises.
“Atualmente, entendemos que a asma pode se manifestar de formas diferentes em cada paciente, com perfis distintos de resposta e desencadeantes. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado e contínuo, mesmo quando os sintomas estão controlados”, explica o médico pneumologista da Santa Casa de Piracicaba, Murilo Piva (CRM 71399).
As exacerbações asmáticas podem se instalar de forma progressiva ou súbita, com sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse persistente e sensação de aperto torácico. Em quadros mais graves, a evolução pode ser rápida, levando à insuficiência respiratória e à necessidade de atendimento emergencial. Nesses casos, o tempo de resposta e a estrutura hospitalar disponível são determinantes para a estabilização do paciente.
Em um hospital de perfil terciário como a Santa Casa de Piracicaba, o manejo das crises asmáticas conta com suporte assistencial completo, incluindo atendimento de urgência 24 horas, equipes multiprofissionais capacitadas e acesso a recursos como suporte ventilatório e monitoramento contínuo. A atuação integrada entre pronto atendimento, clínica médica e, quando necessário, unidades de terapia intensiva, garante uma abordagem segura nos casos de maior gravidade.
Apesar disso, grande parte das internações por asma poderia ser evitada com medidas de controle adequadas. “O paciente precisa reconhecer os sinais de piora e manter acompanhamento regular. Pequenas mudanças no padrão dos sintomas já indicam necessidade de reavaliação médica”, reforça Murilo Piva.
Nos casos mais complexos, em que a doença não responde adequadamente ao tratamento convencional, a medicina tem avançado com o uso de terapias imunobiológicas, que atuam de forma direcionada nos mecanismos inflamatórios da asma. Esses recursos representam uma alternativa importante para pacientes com quadros de difícil controle, ampliando as possibilidades de manejo da doença.
O acompanhamento contínuo permite ajustes terapêuticos individualizados e contribui para a redução de crises, internações e complicações. A asma, embora não tenha cura, pode ser controlada de forma eficaz quando tratada de maneira contínua e orientada.
O alerta do Dia Mundial de Combate à Asma, portanto, vai além da conscientização: trata-se de reforçar a importância do cuidado permanente, da adesão ao tratamento e do acesso a serviços de saúde preparados para atuar tanto na prevenção quanto no atendimento de situações agudas.



