Plano de ataque de grupo online é impedido na Av. Paulista e mais 2 capitais
Ação de inteligência do Núcleo de Observação e Análise Digital de SP descobre articulação para causar pânico e incitar a violência

A Polícia Civil de São Paulo, através do NOAD (Núcleo de Observação e Análise Digital) impediu um possível ataque programado para acontecer nesta segunda-feira (2), na avenida Paulista, na capital. Foram identificados 12 suspeitos de integrarem a ação criminosa, com idades entre 15 e 30 anos, e conduzidos para prestar esclarecimentos.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de SP, o ataque aconteceria às 14h desta segunda-feira, em ação coordenada com pontos em outras cidades, como Rio de Janeiro e Brasília.
Os suspeitos do grupo foram encontrados no Parque Trianon, em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo “Assis Chateubriand”), na av. Paulista, um dos pontos da capital escolhidos preferencialmente por manifestantes. O grupo foi detido com material para bombas incendiárias do tipo caseiro, conhecidas como “coquetéis Molotov”. Tinham cartazes para uma manifestação na qual, segundo declarações dos detidos, seriam detonados os explosivos.
Dois dos detidos declararam que seria feita uma manifestação em frente ao Masp, intitulada “Manifestação Gen Z Acorda Brasil – Fora Corruptos”.
Dentre os detidos, um homem de 26 anos disse, de acordo com o registro policial que montaria “coquetéis molotov para se defender”. O jovem estava na posse de “óleo de motor, três garrafas de vidro, pedaços de pano e isqueiro”.
Além do material apreendido no Parque Trianon, os policiais apreenderam simulacros de arma de fogo, canivetes e armas de fogo verdadeiras na casa de um adolescente, de 15 anos, na cidade de Botucatu.
Grupo virtual
O grupo que organizou o ataque em várias cidades brasileiras atua principalmente no aplicativo Telegram, mas também tem presença em outras redes sociais. Cerca de 8 mil pessoas participam do grupo somente no aplicativo de mensagens, não tendo sido informado pela polícia o número de participantes em outras plataformas. O ataque foi identificado pelo NOAD, grupo de inteligência da Polícia Civil, quando o monitoramento do grupo verificou o aumento do número de palavras-chave relacionadas a crimes violentos e atentados.
Na conversa online, líderes teriam compartilhado tutoriais de como fabricar bombas e explosivos caseiros, bloquear sinais de celulares, infiltrar-se em manifestações ou reconhecer policiais disfarçados.
Segundo a NOAD, os ataques foram planejados somente como forma de “manifestação” sem pauta definida, apenas com o objetivo de causar pânico e incitar a violência.
“Foi um grande trabalho de antecipação do Núcleo de Observação e Análise Digital da polícia (…) A manifestação era uma forma de tumulto, sem pauta nenhuma e conseguimos, com o trabalho de inteligência, impedir este crime”, disse o secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, em entrevista coletiva.
Com apoio da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), os investigadores identificaram a atuação dos alvos envolvidos na capital, Grande São Paulo e interior. Os doze indivíduos identificados repassavam informações e instruções a outros membros do grupo e seis deles tinham poder de comando no grupo.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, a atuação das equipes foi decisiva para evitar riscos à população. “É mais um ataque que que conseguimos impedir por meio do monitoramento digital. Os policiais se infiltraram nesses grupos e identificaram os principais articuladores desse ato criminoso. Trata-se de uma ação preventiva que garantiu a segurança da população”, afirmou Dian.
Rede nacional em monitoramento e investigação
As investigações levantaram as atividades do grupo monitorado como uma rede de alcance nacional, com mais de 8 mil participantes, para discussão de ações violentas em várias regiões do país. Foi identificada uma concentração significativa de mobilização nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Na capital paulista, a comunidade virtual reunia quase 600 integrantes. Sua principal ação planejada era o ataque planejado para a Avenida Paulista. Durante semanas, os participantes compartilharam vídeos e instruções detalhadas sobre a fabricação e o lançamento de artefatos explosivos improvisados.



