Audição em alerta: Santa Casa reforça triagem e prevenção no Dia Mundial da Audição
Departamento de Fonoaudiologia do hospital oferece exames de triagem auditiva neonatal, e orientações pediátricas desde os primeiros dias de vida do recém-nascido
Teste da orelhinha feito ainda na maternidade da Santa Casa pela equipe da fonoaudiologia
Todo 3 de março, o mundo para para falar sobre silêncio — o silêncio imposto pela perda auditiva a milhões de pessoas. A data, estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Dia Mundial da Audição, serve para iniciativas de prevenção e conscientização. Em Piracicaba, a Santa Casa mobiliza seu Departamento de Fonoaudiologia para lembrar à população que ouvir bem começa com cuidados que, muitas vezes, podem ser tomados ainda na maternidade.
“A triagem auditiva neonatal é o ponto de partida. Quanto mais cedo identificamos uma alteração, maior é a janela de intervenção e menor o impacto no desenvolvimento da criança”, afirma Érica Sbravatti, coordenadora do Departamento de Fonoaudiologia da Santa Casa de Piracicaba. O setor conta com três fonoaudiólogas e oferece a triagem auditiva neonatal para 100% dos recém-nascidos, com a realização do teste de emissões otoacústicas.
Os números globais justificam a atenção. A OMS estima que, nas Américas, cerca de 217 milhões de pessoas — 21,52% da população — convivem com algum grau de perda auditiva. A projeção para 2050 é ainda mais preocupante: o número pode chegar a 322 milhões. No mundo, mais de 1 bilhão de jovens entre 12 e 35 anos estão sob risco de perda auditiva permanente em razão da exposição prolongada a sons em volumes elevados, em especial por meio de fones de ouvido.
Segundo Érica, a perda auditiva não identificada e tratada em crianças compromete a aquisição da fala, o desempenho escolar e a integração social. O problema ganha contornos ainda mais graves quando se considera que, segundo a OMS, até 60% dos casos de perda auditiva infantil são evitáveis por meio de medidas básicas de saúde pública, como o tratamento de infecções do ouvido e a remoção de cerúmen em excesso.
Entre os sinais de alerta que merecem investigação estão: não reagir a sons no período neonatal, demora para iniciar a fala, dificuldade para localizar a origem dos sons, necessidade de aumentar o volume da televisão e queixa frequente de que os outros “falam baixo”.
Para os recém-nascidos, a triagem auditiva — conhecida como Teste da Orelhinha — é obrigatória por lei no Brasil e deve ser realizada, de preferência, ainda na maternidade, entre o segundo e o terceiro dia de vida. O exame é rápido, indolor e detecta alterações por meio de emissões otoacústicas evocadas. Na Santa Casa, segundo Erica, o teste é realizado antes da alta hospitalar e, no caso de alterações ou fatores de risco para alterações, um reteste é agendado ambulatorialmente.
“Somente após este segundo teste com falha, enviamos carta ao pediatra com sugestão de investigação mais profunda da perda auditiva”, ressalta ao explicar ainda que a equipe também realiza o exame da ‘linguinha’, com objetivo de verificar a anatomia da língua e frênulo lingual que, se alterado, pode prejudicar a sucção e, posteriormente, a fala do bebê. “Lembrando que é preconizado que o diagnóstico e conduta, no caso de perda auditiva, seja realizado antes dos 3 anos de idade, para que os déficits de linguagem sejam minimizados”, enfatiza Érica.
Na Santa Casa de Piracicaba, o Departamento de Fonoaudiologia realiza em média 180 Testes da Orelhinha por mês, além de contar com ambulatório de retestes. Érica reforça que a prevenção passa por três atitudes simples: proteger os ouvidos de sons intensos, realizar exames auditivos regulares e buscar avaliação ao primeiro sinal de alteração. “Zumbido persistente, sensação de ouvido tampado, dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos — esses sintomas têm causa e, muitas vezes, tratamento. O erro é esperar que piorem”, conclui.




