Avanços no tratamento mudam a vida de pacientes com hemofilia
Evolução terapêutica, incluindo novas medicações e terapia gênica, traz novas perspectivas para pacientes com distúrbios de coagulação
Dr. André Gervatoski Lourenço, hematologista e diretor técnico da Santa Casa de Piracicaba
A hemofilia é uma doença genética que afeta a coagulação do sangue e, por muitos anos, esteve associada a limitações importantes no dia a dia. Sangramentos frequentes, dor e risco de complicações, como lesões articulares e episódios internos mais graves, faziam parte da realidade de muitos pacientes.
Hoje, esse cenário está mudando. Com os avanços da hematologia, surgiram tratamentos mais eficazes, que permitem maior controle da doença, redução significativa dos sangramentos e mais autonomia para os pacientes.
Segundo o hematologista André Gervatoski Lourenço (CRM 88074), diretor técnico da Santa Casa de Piracicaba, essa evolução transformou a forma de conduzir a hemofilia. “Hoje conseguimos atuar de forma mais preventiva e eficaz, reduzindo os episódios de sangramento e preservando não apenas as articulações, mas a saúde global do paciente. Isso impacta diretamente na qualidade de vida e na independência ao longo do tempo”.
Entre os principais avanços estão as terapias de reposição dos fatores de coagulação, com medicamentos de maior duração e que exigem menos aplicações. Além disso, novas abordagens atuam de forma diferenciada no processo de coagulação, proporcionando maior estabilidade clínica.
Outro destaque é a terapia gênica — uma das abordagens mais promissoras da medicina atual. Embora ainda indicada para situações específicas, ela atua diretamente na origem da doença, com potencial de permitir que o próprio organismo passe a produzir o fator de coagulação.
Mesmo com esses avanços, é importante estar atento a sinais como sangramentos frequentes ou de difícil controle, hematomas extensos sem causa aparente, sangramento prolongado após cortes, cirurgias ou procedimentos dentários, além de dor e inchaço nas articulações ou episódios de sangramentos internos, , como no trato gastrointestinal ou sistema nervoso central
Nesses casos, a avaliação médica precoce é essencial para o diagnóstico e o tratamento adequado não só da Hemofilia, mas dos distúrbios de coagulação em geral.
Em situações mais complexas, o acompanhamento especializado e o suporte hospitalar são fundamentais para o manejo de complicações e para garantir segurança ao paciente.
Neste Dia Mundial da Hemofilia, a principal mensagem é clara: os avanços no tratamento estão permitindo que pacientes vivam mais, melhor e com muito mais autonomia do que no passado.



