Hospital das Clínicas da FMUSP cria Banco de Tecidos Oculares para ampliar transplantes de córnea
Avaliação rigorosa dos doadores e controle de qualidade garantem segurança desde a captação até o transplante

Para ampliar a oferta de córneas para transplante e reduzir o tempo de espera dos pacientes, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) criou o Banco de Tecidos Oculares Humanos (BTOH). Segundo dados apresentados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia durante o 69º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado no ano passado, o tempo médio de espera por um transplante de córnea no Brasil é de 374 dias. Apenas no Estado de São Paulo, mais de 6 mil pessoas aguardam pelo procedimento, o que reforça a importância do novo serviço.

A professora Ruth Miyuki Santo, do Departamento de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da USP e responsável técnica pelo Banco de Tecidos Oculares Humanos, destaca a importância da doação de órgãos e tecidos. Para ela, é fundamental fortalecer a cultura da doação no País.
“Mesmo após a morte, o doador torna possível a recuperação da visão e da qualidade de vida de duas pessoas com problemas decorrentes de danos na córnea. É um verdadeiro ato de amor ao próximo.”
Critérios para captação das córneas
A captação de córneas segue protocolos rigorosos para garantir a segurança do receptor e a qualidade do transplante. Antes da retirada do tecido, a equipe investiga o histórico clínico do possível doador e verifica a existência de contraindicações, como infecção generalizada, causa da morte desconhecida, tumores oculares e doenças hematológicas, como a leucemia. Também são realizados exames sorológicos para identificar infecções virais passíveis de transmissão.
Após a captação, o tecido é encaminhado ao Banco de Tecidos Oculares Humanos, onde passa por uma nova avaliação de qualidade antes da remoção da córnea e de sua liberação para transplante. Depois de retirada, a córnea pode permanecer preservada por até 14 dias. O rigor em todas as etapas de processamento e preservação é essencial para aumentar as chances de sucesso do transplante.
Papel dos profissionais de saúde
A equipe do Banco de Tecidos Oculares Humanos é responsável por conduzir todo o processo de doação com segurança, qualidade técnica e sensibilidade. Além de abordar as famílias em um momento de luto para solicitar a autorização para a doação, os profissionais realizam uma avaliação criteriosa do histórico do doador e da qualidade da córnea em diferentes etapas do processo, garantindo que o tecido seja disponibilizado ao receptor em condições adequadas.
Além da atuação técnica, a equipe também desempenha um papel importante na conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos, contribuindo para ampliar a disponibilidade de córneas e reduzir o tempo de espera por transplantes.
Fonte: Jornal da USP.



