Para os petistas, o momento é de transmitir a ideia de que Flávio será um desastre à democracia brasileira; um vendilhão da pátria, em conluio com Donald Trump; um atraso moral e senhor do descaso com a corrupção de colarinho branco. O prenúncio do caos e do autoritarismo.
Carregar as redes sociais com o terror de um bolsonarismo fantasioso é a última cartada de Lula, em sua fase decrépita. Como se o eleitor não conhecesse o passado do petista e tudo o que ele já fez para tentar se perpetuar no poder.
A alternância de poder é um desejo nacional, como ficou evidente no primeiro turno das eleições presidenciais. Não se trata de um desejo deste ou daquele grupo. O mapa eleitoral demonstra com clareza o que se passa pela cabeça do eleitor. Queiram ou não os petistas, as chances de vitória de Flávio Bolsonaro são reais.
Caso se confirme esta perspectiva, é necessário conceder o benefício da dúvida ao eleito e não carta branca. Até o momento, o que se vê é um trabalho de alianças que esmaece o suposto extremismo de Flávio Bolsonaro, alegado pelos seus opositores. Alianças fundamentais.
O apoio de Romeu Zema e Ronaldo Caiado a ele no segundo turno pode não lhe trazer votos novos, mas traz este alento necessário para o desdobramento desta fase de transição. O nome de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-secretária do Ministério da Economia no governo de Jair Bolsonaro, para ser sua ministra da Economia, é mais um exemplo de aparente equilíbrio.
Os petistas precisam aceitar que o ciclo lulista está se encerrando e, como tudo indica, será selado no dia 25 de outubro. Claro que não se deve trabalhar de forma cega com esta possibilidade. Afinal, o Brasil é um país mágico. Mas é fato que os eleitores estão otimistas com a suposta mudança. Tanto é que uma eleição morna no primeiro turno se tornou uma eleição animada no segundo.
Não se trata, portanto, do fim do mundo eleger Flávio. Há riscos no horizonte? Sempre há, mas não na medida exagerada aventada pelos lulistas e petistas. Eles estão aflitos e presos ao imaginário de um líder que já não lidera mais, em fim de ciclo. Eles tentam vitaminar a fantasia de um passado que nunca existiu. Sem contar que a mudança é um anseio nacional.
Se a eleição estivesse se dando entre este ou aquele líder carismático de oposição, a antena estaria girando a mil. Mas nem carismático Flávio é. Sua escolha está sendo feita com severas restrições e é fruto do voto antilulista. Se eleito de fato, ele precisa ter consciência dessa limitação. Precisa ainda aprender a ser líder e a fazer o que precisa ser feito em seu eventual governo, sem invencionices e estrelismos. O tempo dirá se houve acertos ou erros na escolha popular nesta eventual escolha. É o benefício da dúvida.





