Brasileiros reduzem consumo de álcool e transformam hábitos sociais, aponta pesquisa
Levantamento do PiniOn mostra que 36,5% dos consumidores diminuíram a ingestão de bebidas alcoólicas nos últimos dois anos
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O consumo de álcool no Brasil passa por uma transformação. Embora 51,8% dos brasileiros ainda consumam bebidas alcoólicas, um movimento consistente de moderação vem ganhando força: 36,5% afirmam ter reduzido o consumo nos últimos dois anos, enquanto outros 2,8% dizem ter essa intenção, segundo uma pesquisa realizada pelo PiniOn, empresa de pesquisa de mercado especializada em dados competitivos e comportamentais.
Entre os 48,2% que não bebem atualmente, mais da metade (57,2%) já consumiu álcool no passado, indicando uma tendência crescente de abandono do hábito, especialmente entre os homens. No recorte geral, o consumo é mais prevalente entre pessoas de 35 a 44 anos (57,2%) e nas classes mais altas, com destaque para a classe A (78,9%). Regionalmente, o Sudeste lidera (55,9%), seguido pelo Sul (50,6%).
A mudança está diretamente ligada ao estilo de vida. Entre os respondentes que reduziram ou interromperam o consumo de álcool, quase metade (48,2%) afirmou que a motivação foi a busca por hábitos mais saudáveis, enquanto 33,9% citam a melhora da dieta, do sono e da performance como motivadores principais.
Para Talita Castro, CEO do PiniOn, o movimento reflete uma transformação mais profunda no comportamento do consumidor. “O que vemos é uma mudança estrutural, em que o consumo passa a ser mais consciente e alinhado ao bem-estar. Isso impacta não só a relação com o álcool, mas toda a dinâmica social e de grandes indústrias como bebidas, alimentos e entretenimento”, afirma.
Impactos no comportamento e oportunidades para o mercado
A redução do consumo também altera hábitos sociais. Cerca de 30% dos entrevistados afirmam frequentar menos festas e baladas após diminuir ou cortar o álcool, enquanto 28,7% dizem se sentir pressionados a consumir bebidas nesses ambientes. Ainda assim, 24,9% apontam que segurar um drink contribui para a confiança social.
Aspectos emocionais também ganham relevância: 48,2% do total de respondentes relatam já ter sentido “ressaca moral”, fator que impacta diretamente a relação com o álcool e contribui para a redução do consumo. Além disso, 17,2% percebem aumento no uso de outras substâncias em seus círculos sociais após a diminuição do álcool.
Esse movimento também se reflete no mercado: 42,9% do público total avalia como ruim ou apenas regular a oferta de drinks não alcoólicos nos estabelecimentos que frequentam. Ainda assim, há abertura para inovação: 47,4% afirmam que estariam dispostos a pagar o mesmo preço de um drink alcoólico por uma versão não alcoólica sofisticada, com ingredientes premium. Além disso, 35,1% dizem que frequentariam eventos totalmente voltados ao público sóbrio, enquanto 28,4% avaliam que a decisão dependeria da proposta.
“Existe uma oportunidade clara para marcas e estabelecimentos irem além da simples oferta de produtos sem álcool. O crescimento desse comportamento exige uma nova leitura do consumidor, que não quer apenas adaptações, mas experiências pensadas desde a origem para ele. Colocá-lo no centro, e não como exceção, é o que deve guiar as próximas inovações no setor”, completa a executiva.
O levantamento foi realizado por meio do aplicativo mobile do PiniOn, com 1509 entrevistados de todas as regiões do Brasil, compondo uma amostra representativa nacional.



