O cenário é sereno. Dois candidatos e uma cadeira. Vai ganhar quem tropeçar menos. Ou usar menos a pá. Explico. Queira ou não, Lula encontrou um adversário que sabe se apresentar sem demonstrar transtorno emocional.
Nos quesitos que mais preocupavam os eleitores, ambos empatam: corrupção e ideias fora do lugar. Flávio, ao menos, tem a possibilidade de aprender. Esta é a percepção da maioria.
“Mas se ele achar que sabe tudo e quiser agir de forma destrambelhada? ” Este é o medo da maioria.
Mas acho que não há espaço para isso. Ao longo da campanha, Flávio se ajustou e precisará se controlar para vencer.
Lula, ao contrário, se descontrola para tentar vencer. Todas as suas medidas eleitoreiras são atos de puro desespero, o que tem ficado visível em suas manifestações públicas.
A questão aqui não é de aposta ou de suposição, mas de composição de forças. Flávio não terá muito espaço para fazer bobagens, se quiser o apoio de políticos sérios.
Sem o apoio desses políticos sérios, seu governo naufragaria. Não acredito que ele seja louco de jogar no lixo uma oportunidade histórica e cave o próprio buraco.
Ele não terá espaço para fazer as mesmas experiências do seu pai, por exemplo. Se tentar, será denunciado automaticamente. Não haverá refresco para ele.
“Êpa, alto lá! Você está escrevendo como se Flávio já tivesse vencido.” Não. Escrevo sobre a elevada probabilidade de Flávio ganhar.
Mas, se Lula ganhar, teremos aí um governo com as próprias contas em colapso (segundo ele mesmo) e terá que mudar muito do que pensa para não enfiar o Brasil no buraco que já cavou.
Ah, mas Flávio pode frustrar todas as expectativas e também enfiar o Brasil em um buraco sem volta. Pior, de viés autoritário.
Sim, de fato, em termos de buraco, eles também se igualam. Por isso a disputa está tão apertada. Cada um promete tapar o buraco do outro e se aproximam.
Será uma eleição e duas apostas possíveis, ambas erradas. Mas uma delas terá que ser feita. O eleitor vai ter que aprender da pior forma, acreditando que nenhum dos dois está disposto a se enterrar no próprio buraco.





