
A produção de cachaça no Brasil está vivendo um período de significativa consolidação. Cada vez mais afastada da informalidade, essa bebida icônica do País tem conquistado um espaço crescente tanto no mercado nacional quanto no internacional. Para ajudar produtores e entusiastas a alcançar a excelência no alambique, a Casa do Produtor Rural lança um novo episódio do podcast Pod Entrar, a Casa é Sua!, disponível neste link.
Reconhecida como o primeiro destilado das Américas, a cachaça é uma bebida tradicional e um símbolo da cultura brasileira. Sua fabricação data do período colonial, por volta de 1520, em Pernambuco, quando começou a ser produzida a partir do caldo de cana-de-açúcar. Ao longo dos séculos, a cachaça evoluiu por meio de refinamento técnico, tornando-se um produto de qualidade e sabor inigualáveis.
Atualmente, ocupa um espaço importante no agronegócio brasileiro, não só como bebida, mas também como um patrimônio cultural e histórico. Sua produção é um processo complexo que inclui a seleção da cana, fermentação, destilação e, ainda, o envelhecimento em barris de madeira, que conferem características exclusivas à bebida.
O podcast traz o professor André Ricardo Alcarde, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, para uma discussão sobre a Produção de Cachaça de Qualidade. No episódio, o professor aborda desde os critérios sensoriais e químicos que definem uma cachaça de excelência até as práticas produtivas mais eficazes.
A qualidade de uma cachaça está fundamentada no equilíbrio entre conformidade legal, segurança alimentar e perfil sensorial. “A qualidade não surge por acaso; ela depende de uma corrente de fatores integrados, que vai da escolha da variedade de cana ao rigor na higienização dos equipamentos e à correta condução da fermentação e destilação”, destaca Alcarde.
Outro ponto discutido no podcast é a diferenciação entre a cachaça “branca”, que repousa em inox ou tonéis neutros, mantendo o frescor original da cana, e a envelhecida, que passa no mínimo um ano em barris de madeira. Embora o carvalho seja a madeira mais tradicional no mercado global, Alcarde comenta sobre a vantagem competitiva das espécies nativas do Brasil, como a amburana. A cachaça envelhecida nesta madeira possui uma coloração intensa, um sabor adocicado e um buquê aromático marcante e característico, com notas frutadas e um toque proeminente de especiarias, informa o professor.
O reconhecimento da cachaça como denominação de origem em mercados como os Estados Unidos elevou o patamar do produto brasileiro no exterior, onde hoje disputa mercado em pé de igualdade com o whisky, o rum e a tequila. Contudo, para os produtores brasileiros, os desafios ainda envolvem os custos de produção e o cumprimento das exigências fiscais e sanitárias.
Para quem está se iniciando na atividade, o professor é categórico: investimento em capacitação técnica e registro no Mapa são indispensáveis. “Apliquem rigorosamente as Boas Práticas de Fabricação (BPF), trabalhem com matéria-prima sadia, façam o corte correto na destilação e formalizem o alambique. A qualidade no copo é o melhor marketing que o produtor pode ter”, conclui.
O podcast
O título do podcast, Pod Entrar, a Casa é Sua!, produzido pela Casa do Produtor Rural, em parceria com o Pecege, busca estabelecer uma conexão entre os ouvintes e o universo agro. A proposta é criar um espaço dedicado a entrevistas com especialistas para compartilhar suas experiências e histórias, proporcionando uma visão abrangente do setor agrícola.
Com uma abordagem leve e acessível, cada episódio é uma oportunidade de aprendizado, reflexão e engajamento nas questões que impactam o cotidiano do campo, com familiaridade para que os ouvintes se sintam verdadeiramente em casa. O Pod Entrar, a Casa é Sua! tem o apoio do Serviço de Cultura e Extensão Universitária (SVCEx) da Esalq.
O episódio completo pode ser conferido no player abaixo:
Matéria: Marcela Matavelli, da Comunicação da Casa do Produtor Rural | Jornal da USP.



