Enquanto no STF a luta intestina entre os ministros é para preservar o semblante altaneiro diante do espelho da falsidade, na corrida presidencial o eleitorado vai vagarosamente se aproximando do escorpião menos peçonhento.
Há também o ministro peçonhento e o candidato a presidente que não olha mais no espelho. A variação é caleidoscópica e depende do instante e da notícia, mas o humor é sempre da falsidade peçonhenta que ignora o espelho.
As notícias de Brasília não cabem mais nas páginas de polícia. Inclusive porque não existem mais páginas de polícia e todas as notícias policiais têm peso de manchete.
O problema é que, tanto na manchete como na nota de rodapé, a notícia policial perdeu o valor de face e passou a ter apenas valor de interesses.
O eleitor também se olha no espelho e se indigna consigo mesmo, sem poder escapar da própria incoerência. O nó é bem dado e nem marinheiro velho escapa do enrosco e do aperto no pescoço.
Quando o meu próprio voto se torna um antivoto para evitar que o voto vença, estou votando contra mim mesmo, na esperança de que o antivoto tenha a dimensão de um manifesto que não me convence.
A cabala é uma bala que acaba na tua cabeça. Na esperança itamariana de combater as metáforas com mais metáforas às avessas, avanço no “antes que o mal cresça, é melhor cortar a cabeça”.
Nunca estive tão impressionado com o país como tenho estado ultimamente. A política nacional tornou-se um atentado contra a civilidade. Agora cabe à civilidade combater o crime sem matar consigo a política.
As pesquisas, aos poucos, vão desenhando o amanhã. É como se um El Niño eterno desregulasse o intestino de um menino que nasceu ancião. É a disenteria que assola o país.
Se o cheiro um dia foi bom, eu não sei. Mas hoje eu percebo apenas a textura. Percebo a materialidade de uma bandidagem oculta que enganava os meus sentimentos aos montes.
É como se o STF, o Congresso Nacional e a presidência da República se unissem para lançar excremento na ombreira da minha dignidade esmaecida. Não pare diante do espelho. Avance!





