Vamos fazer render
Sem me aprofundar em análises econômicas, nem abrindo sites com análises de conjunturas. Só andando pela rua. Caminhadas a pé rendem mais que o CDB do Banco Master ou ações das Casas Bahia.
Comércio
Muitas lojas fechadas. Como dizemos por aqui, a cada dia que passa, mais comércios fechados.
Crise
Poderia ser um bom cenário para as imobiliárias. Muitas placas de “Aluga-se”. Ou como escrevem hoje em dia, “Alugo”. Mas se não há quem alugue, não há como alugar. Então devem estar em crise. Como nós outros, diriam los hermanos.
Motivo 3
Algumas pessoas dizem que a culpa é da internet, da Shopee, da Shein, da China.
Motivo 2
Outros dizem que a culpa é do Lula. Outros, do Bolsonaro. Um ou outro mais velho vai culpar o Sarney, o Delfim Netto, até o Getúlio Vargas.
Motivo 3
Ultraconservadores culpam a República, o traidor do Deodoro e o chute na bunda de D. Pedro II, e família, para fora do país. Ultraesquerdistas dizem que o problema chegou com as caravelas: afinal, distribuir espelhinhos foi o primeiro gesto capitalista- nojento-explorador-racista-discriminador-de-minorias praticado aqui, por estas bandas.
Motivo 4
Antropofagia, uma prática da cultura de certos povos originários na Terra Brasilis pré-1500, segundo os ultraliberais, continuou por outros meios no novo país: afinal, comer pessoas, arrancando sua pele e não deixando nem os ossos, é algo que o governo se especializou.
Peixe
Os tempos não estão para peixe. Em Piracicaba, Terra do Peixe, isso é sinal de problemas. Conjuntura ruim. Ou seja, com juntura ou sem juntura, o negócio vai mal. Melhor dizendo, os negócios, a vida e tudo o mais. Se é que sobrou mais alguma coisa.
Capivara 1
Percebendo que os tempos não estão para peixe, a prefeitura resolve propor um “Monumento à Capivara”. Bicho mais simpático que o peixe. Cujo monumento, à entrada da cidade, na rodovia Luiz de Queiroz, nem mesmo dá um sorrisinho.
Graça
Talvez porque quase ninguém tenha achado graça nele, na época em foi proposto e instalado. Fechou a carranca e ficou ali. Foi pixado, xingado. Virou alvo de câmeras e da Câmara.
Capivara 2
A prefeitura está propondo uma capivara de 4 metros de comprimento. No Brasil, a piada nasce pronta: quem vai querer derrubar o projeto da estátua, puxando uma capivara de 4 metros?
Capivara 3
Nestes tempos bicudos, de corrupção, talvez fosse melhor um monumento a algum pássaro, tipo os tucanos que, parece, estão voltando, em revoada. Ao menos em Piracicaba, temos visto muitos por aí. Em árvores e nas esquinas, distribuindo santinhos.
Capivara 4
Nestes tempos de corrupção, não o bicho capivara, mas a lista de contravenções e crimes que determinadas pessoas cometem, que popularmente é chamada com o nome do animal, possa merecer um monumento público.
Capivara 5
Tal monumento alternativo à capivara seria uma homenagem à capacidade inventiva do brasileiro, que gosta de criar palavras e expressões pitorescas. Assim, como dizem nas universidades, “ressignifica” a falta de graça de peixões, tubarões e baleias, que na vida real, tudo devoram.
Capivara 6
Quem sabe um monumento lúdico fosse melhor, para elogiar o “engenho e arte” dos brasileiros. Tanto em criar expressões, quanto de inventar maneiras inéditas de driblar impostos, desviar dinheiro e se safar das punições, como a prisão.
Sem juízo
Ao homenagear esta capacidade imaginativa, notem que não faço juízo de valores, pois tanto a criatividade para o bem - no futebol, nas artes e nas ciências -, quanto no “jeitinho”, na gambiarra e na corrupção, estariam representadas. O negócio é elogiar a capacidade, não os resultados dela.
Proposta 1
Proponho um monumento assim: um pedestal, cercado de um tanque com água, na qual há estão mergulhadas muitas estátuas de burros. Para você ter acesso ao pedestal com as capivaras, você tem que jogar dinheiro na água, tipo a Fontana di Trevi. Aceitaria moedas, cédulas, malas com dinheiro e Pix. Só não aceita mais cheque do Banco Master nem do BRB.
Proposta 2
Vai depender dos seus contatos se isso vai te dar sorte ou azar. Sobre o pedestal, muitas capivaras de vidro. Para brincar, você tem de puxar uma delas, sem que caia na água. Senão, vai dar com os burros n’água. Uma placa pode fazer o convite: “puxe a sua capivara”. Faça o seu pedido, promessa ou solicitação de um cargo comissionado, e aguarde a sua capivara da sorte, ou do azar, te atender.
Proposta 3
Faça sua própria leitura de quem é capivara e quem é burro. Se a carapuça servir, não veremos políticos se divertindo no local.



