Centrão é movimento difícil de satisfazer
Ele está sempre com o governo e quer sua parte em dinheiro e poder
O Centrão é governo. Engana-se quem acha que ele é de direita ou de esquerda. Por isso, a filosofia dos partidos que o compõem é eleger o maior número possível de representantes na Câmara dos Deputados e no Senado. Sendo assim, trata-se de um movimento com muita força para negociar com qualquer governo. Mas os interesses primeiros dessa gente são o fundo partidário e as emendas parlamentares. Querem dinheiro, e ponto final.
Qualquer governo eleito também vai necessitar do Centrão para que o governo funcione minimamente bem, sem conflitos com o parlamento. Nessa negociação, os ministérios e pastas estratégicas de governo são moeda de troca. Nem sempre são negociações programáticas. Mas certamente são negociações pragmáticas.
Em síntese, quem tem poder se impõe ou cria dificuldades para o governo de turno. Sendo assim, é sempre difícil imaginar que um presidente da Câmara ou do Senado tenha uma linha de conduta pautada pela integridade, porque normalmente o escolhido é aquele mais tarimbado para fazer o jogo, de interesses, claro, e atender tantas demandas. Nem sempre o Brasil é favorecido com isso.
Pode ver Hugo Motta, Davi Alcolumbre são figuras carimbadas, que transitam com desenvoltura em um território cinzento, entre a luz da lei e os interesses mais obscuros. Só para exemplificar, reportagens recentes relacionam os nomes desses figurões ao caso de Daniel Vorcaro, suposto dono do Banco Master. É isso.
Seguindo esta métrica, não dá para dizer que o Centrão ficará com Lula, como disse recentemente Gilberto Kassab. Ficará com Lula se Lula for para o segundo turno com chances reais de ser eleito, senão migra para o candidato com maior potencial, independentemente de ser Flávio Bolsonaro ou o ET de Varginha.
Com essa fórmula de emendas parlamentares impositivas, estabelecida no país, o Centrão, que já tinha força, se tornou muito mais poderoso. Quando aplicadas corretamente, essas emendas dão muita visibilidade aos seus integrantes. Eles sabem potencializar recursos oficiais para interesses particulares. Só que, com isso, o Executivo perde sua força e sua capacidade de interlocução, se não for na base do “me libera emendas que eu vou, que eu voto”.
O carnaval do Centrão é sempre muito mais divertido, para os seus. Já para o Executivo, nem sempre. A não ser que... É fácil entender o motivo de o Centrão estar com Lula neste momento.





