Cepagri-Unicamp amplia acesso a dados meteorológicos em tempo real
Novo site conta com imagens de satélite, gráficos interativos e atualização a cada dez minutos para informações mais precisas
Dados meteorológicos atualizados em tempo real, imagens de satélite interativas e novas ferramentas de monitoramento climático facilitam cada vez mais o acesso da população às informações sobre o clima. No novo site do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, as novas tecnologias permitem que o público tenha informações mais precisas sobre, por exemplo, temperatura, precipitação, velocidade do vento, umidade relativa do ar e fenômenos como El Niño e La Niña. Visite o site
O site, um dos mais antigos da Unicamp, foi lançado em 1995 e passou por diversas reformulações ao longo de mais de 30 anos, destaca a coordenadora-associada do Cepagri, Renata Ribeiro Gonçalves. “Com as atualizações, melhoramos a navegação e ampliamos o acesso público aos dados produzidos”, destaca.
Uma das novidades da nova versão é a integração com a plataforma Labsat, que permite visualizar imagens de satélite com diferentes camadas de informação. “Antes, a plataforma tinha imagens sem interação. Agora, o usuário pode interagir e analisar diferentes informações”, explica Gonçalves, que ressalta que as imagens são geradas a partir de dados de um satélite geoestacionário que monitora cerca de um terço do planeta, incluindo toda a América do Sul. “É possível mapear, por exemplo, focos de incêndio, temperatura da superfície, temperatura do oceano e quantidade de raios”, afirma.

Há também gráficos inéditos, que mostram variações nas últimas 24 horas, nos últimos 15 dias e dados históricos dos últimos 30 anos. “É possível escolher períodos determinados e analisar médias históricas”, exemplifica Gonçalves. De acordo com a coordenadora, a previsão é atualizada todos os dias e, se houver mudanças mais significativas, a atualização pode ocorrer mais de uma vez ao dia. “Essas previsões são feitas e assinadas pelos meteorologistas”, ressalta.
Nos próximos meses, o site também deverá incorporar uma plataforma com imagens de radar meteorológico em tempo real, projeto em parceria com a Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp) e a Defesa Civil. “O radar permite saber exatamente onde está chovendo e qual a intensidade da precipitação. Se houver uma tempestade muito forte, com cerca de meia hora de antecedência já será possível prever e acompanhar o deslocamento”, explica. Segundo a coordenadora, a ferramenta deverá contribuir para a emissão de alertas meteorológicos e para o monitoramento de eventos extremos. O radar, instalado em 2024 no Museu Exploratório de Ciências da Unicamp, entrou em operação em dezembro passado.
Gonçalves ressalta que o site é utilizado por diversos públicos, desde pesquisadores até profissionais de setores que dependem das condições climáticas, como agricultura, por exemplo. “Essas informações são de acesso gratuito para a população e também podem apoiar pesquisas científicas.”
O novo portal levou cerca de um ano e meio para ficar pronto, em um trabalho conjunto com a Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (Cocen). “O trabalho foi feito em parceria com a nossa coordenadoria e o desenvolvedor Derivaldo Reis de Sousa, da equipe de tecnologia da informação. A gente passava as demandas e ele desenvolvia”, relata Gonçalves, que destaca que a plataforma continuará sendo atualizada conforme novas ferramentas e demandas surgirem. “É um site que vai estar em constante atualização, porque as informações meteorológicas mudam o tempo todo e também existem demandas da imprensa, do turismo, dos aeroportos e de outros setores.”
Além de fornecer dados climáticos para o público em geral, o Cepagri desenvolve pesquisas em diferentes áreas, incluindo o uso de inteligência artificial (IA) aplicada à análise de dados ambientais. “Utilizamos técnicas de IA para cruzar informações como dados sobre clima, índice de vegetação e ocorrência de incêndios. Isso permite identificar relações e gerar resultados mais precisos”, diz.
Matéria: Daniela Prandi | Jornal da Unicamp.




