Galileu 1
Não é fácil ver grandeza nos astros que atravessam o céu de Brasília. A ética ali é um cometa que passa de 72 em 72 anos.
Galileu 2
Há uma nebulosa de velhas vertentes, que ofusca as novas estrelas com potencial para irradiar alguma beleza.
Galileu 3
O buraco negro é tão arrasador que arrasta consigo a chance de se especular sobre o futuro.
Galileu 4
Somos observadores desse céu sem perspectiva e esperamos sinais de algo que possa nos tirar desse sentimento de fim de mundo.
Galileu 5
Somente uma implosão talvez possa criar um ambiente de vida inteligente e humanizada.
Galileu 6
Os gases, porém, ainda são tóxicos e os mesmos, capazes somente de alimentar vermes anaeróbicos.
Galileu 7
A luz se revelará um dia com a força necessária para superar as trevas.
Galileu 8
Mas falta a ela ainda intensidade para romper tão densas camadas de poeira, o que impede até mesmo os deuses de revelarem sua presença.
Galileu 9
A vida, como a conhecemos, com todo seu esplendor, em ambiente tão árido, não passa de um sonho em cabeças alienígenas, que somos.




