Checando se a notícia é fake... ou não
Como funcionam as "fake news', e porque você deve desconfiar, principalmente daquelas notícias que você gostaria muito, mas muito mesmo, que fossem verdade
Como saber se uma notícia é “fake news” ou não?
A verdade pode ser feita de fatos verificáveis, como os dados dos elementos da Tabela Periódica, as Leis da Física, o sequenciamento das bases do DNA, assim como a eficácia ou não da cloroquina quanto ao vírus da Covid-19; de testemunhos confiáveis, como o primeiro voo de um avião funcional, como o dos Irmãos Wright; de comprovação de fatos por experiência presencial, como a Terra ser esférica ou plana; e de informações que são dificílimas ou impossíveis de serem comprovadas, como a existência de E.T.s na Área 51 ou do assassinato do presidente Kennedy, John Lennon ou Michael Jackson pela seita dos Illuminati.
Aqui vão várias dicas para ajudar você a constatar o que são “fake news” ou não.
Como confiar na veracidade de uma notícia
A notícia deve vir de uma fonte confiável; no entanto, uma fonte reputada aumenta a confiança, mas não substitui a verificação. Até veículos sérios podem errar, mas “erro” é diferente de “fake news”, em geral produzida ou difundida com o objetivo de enganar, manipular ou induzir o leitor a erro.
A notícia não deve ter origem única; ou seja, deve poder ser confrontada com outras fontes confiáveis e independentes.
A notícia não deve ser uma opinião ou interpretação disfarçada de notícia. Uma notícia confiável costuma distinguir com clareza entre fato verificado, hipótese, análise e opinião.
A linguagem utilizada na notícia não deve ser sensacionalista, provocativa, instigadora de preconceitos, proselitista, nem assumir tom inconformado ou glorificar pessoa ou grupo. Se a notícia parece construída principalmente para provocar raiva, medo, indignação imediata, euforia ou sensação de urgência, sem apresentar provas claras e verificáveis, isso é forte sinal de manipulação ou falsidade.
Desconfie quando a notícia manda “compartilhar antes que apaguem”, “a mídia não quer que você saiba”, “espalhe para todos” ou usa expressões semelhantes. Esse é um sinal clássico de desinformação.
Verifique se há erro lógico ou promessa mirabolante. Exemplos típicos:
“cura proibida escondida há décadas”;
“invenção revolucionária silenciada”;
“todos mentem menos este site”;
“segredo revelado agora”.
Isso costuma indicar fraude narrativa.
Quanto mais erros de português o texto tiver, maior a chance de ser falso. Mas cuidado: muitos erros de português podem ser sinal de baixa credibilidade, embora não provem falsidade. Às vezes, “notícias” com português impecável são completamente falsas.
Verifique a data. “Fake news” costumam ser “requentadas”, com o intuito de passar a impressão de que são recentes. Além disso, podem usar expressões como “recentemente”, “na semana passada” e “ontem”, sem apresentar nenhuma indicação de data. Notícias verdadeiras costumam ser datadas, ou ao menos ter sua data de publicação facilmente localizável.
Quando cita números, estatísticas ou dados científicos, a notícia deve indicar fontes verificáveis, e não se limitar a expressões vagas, como “segundo cientistas” ou “de acordo com informações do governo”, sem especificar quais cientistas, quais estudos, qual órgão ou qual documento.
A notícia deve ser contextualizada no tempo e no espaço. “Fake news” adoram deixar informações imprecisas e vagas, como em: “Cientista brasileiro que inventou o carro movido a água foi silenciado”. Não se diz quando inventou o tal carro, nem quando foi silenciado.
Notícias de veículos sérios não pedem dinheiro de forma atrapalhada, emocional ou improvisada. Pedidos de dinheiro formulados desse modo, dentro da notícia, são forte sinal de fraude.
Verifique se o endereço do site é falsificado ou imita o de um site real. O site G17 foi, por muitos anos, usado para enganar pessoas que pensavam estar lendo uma notícia do site G1, por causa do design semelhante. A única diferença era o número “7” acrescentado ao título.
Procure em agências de checagem se a notícia já foi analisada e como foi classificada.
Verifique se a notícia possui autoria identificada. Muitas “fake news” omitem autoria, usam nomes falsos ou atribuem indevidamente o texto a jornalistas ou veículos conhecidos.
Leia além do título. Muitas vezes, o que é anunciado na manchete não corresponde ao que está no corpo da matéria. Por exemplo: “Teste com medicamento traz a cura total do câncer”. Ao se verificar o texto, constata-se que se tratou de um teste com camundongos, relativo a uma variedade específica de câncer.
Verifique imagens e vídeos. Imagens, vídeos e até áudios verdadeiros podem ser reutilizados fora de seu contexto original para sustentar uma notícia falsa.
Confira documentos primários. Se a notícia cita:
decisão judicial;
lei;
pesquisa científica;
fala pública;
relatório oficial;
vale buscar o documento original.
Verifique a consistência interna. Pergunte:
as datas batem?
os números fazem sentido?
o texto se contradiz?
lugares e nomes existem?






