China anuncia “medidas extraordinárias” para se firmar como líder global em IA
Pesquisas na área são tratadas como recurso estratégico no país, com exigência de segurança em toda a cadeia de suprimentos para garantir sua adoção em larga escala
A China anunciou que adotará “medidas extraordinárias” para se firmar como líder global em sistemas de inteligência artificial (IA), tecnologia quântica e outras áreas na fronteira tecnológica. O compromisso consta de seu 15º plano quinquenal, aprovado no dia 12 de março pela Assembleia Popular Nacional, e divulgado no dia 13.
O documento define várias metas para o período de 2026 a 2030, com o país buscando institucionalizar um modelo de crescimento guiado pelo Estado e centrado na soberania tecnológica, na segurança estratégica e em um reajuste gradual da economia.
O plano prevê avanços ao longo de toda a cadeia de desenvolvimento em seis áreas estratégicas: circuitos integrados, máquinas-ferramenta industriais, instrumentos de alta tecnologia, softwares básicos, materiais avançados e biomanufatura.
Para isso, o governo chinês prometeu ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O orçamento para ciência deve chegar a 426 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 62 bilhões) em 2026, um aumento de 10% em relação a 2025 — a ciência hoje na China é considerada tão estratégica quanto outras prioridades nacionais, como defesa, crescimento econômico e expansão de sua influência internacional.
O plano também reforça a meta de longo prazo do país de se tornar mais autossuficiente, com o governo protegendo sua cadeia produtiva das oscilações do mercado e da dependência de tecnologias avançadas importadas, superando gargalos que limitam a produção de componentes essenciais, como chips semicondutores de última geração.
O documento não detalha quais medidas extraordinárias serão adotadas nesse sentido, mas, conforme apuração da revista Nature, é provável que elas incluam novos esforços para atrair cientistas estrangeiros.
A China também pretende acelerar a P&D em biotecnologia, neurociência e exploração do espaço profundo, além de reforçar sua aposta em sistemas de IA, aplicando a tecnologia em toda a sociedade, dos setores industriais à governança social.
Há alguns anos as pesquisas nessa área são tratadas como recurso estratégico crucial no país, com exigência de segurança em toda a cadeia de suprimentos — incluindo chips, softwares básicos e capacitação — para garantir sua adoção em larga escala. Para impulsioná-la, o 15º plano quinquenal chinês defende fortalecer a integração da tecnologia com a inovação científica e industrial, além de ampliar seu uso em aplicações produtivas.
A concretização desses objetivos, porém, dependerá de alguns fatores, entre eles a capacidade do governo central de gerir eficazmente diversas condições estruturais econômicas e políticas de longa data, e alcançar o crescimento por meio da supremacia da inovação científica e tecnológica antes que os impactos da desaceleração econômica se façam sentir com mais intensidade.
Matéria: Rodrigo Andrade | Notícias Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada




