Cinco de Maio: por que lavar as mãos é o gesto mais importante da medicina
Data instituída pela OMS lembra que entre 20% e 30% das infecções hospitalares podem ser evitadas com uma prática simples — e que exige protocolo rigoroso para funcionar
CCIH utiliza equipamento de alta tecnologia que identifica falhas na técnica de higienização das mãos e capacita funcionários para prevenção de infecções hospitalares
Todo ano, no dia 5 de maio, hospitais e serviços de saúde de todo o mundo voltam a atenção para um gesto rotineiro que, executado da maneira correta, representa a principal barreira contra infecções hospitalares: a higienização das mãos. A data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde em 2009 com o objetivo de reforçar uma evidência científica consolidada — as mãos são a principal via de transmissão de microrganismos entre superfícies, pacientes e profissionais de saúde.
Na Santa Casa de Piracicaba, a data é tratada como parte de um esforço permanente de segurança assistencial. “Estudos mostram que de 20% a 30% das infecções relacionadas à assistência à saúde podem ser evitadas apenas com a correta higienização das mãos”, afirma Fernanda Rosa, enfermeira coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) da instituição.
Protocolo define tempo e técnica
A higienização das mãos não é um gesto informal. Ela obedece a protocolos estabelecidos que determinam tempo mínimo de execução e cobertura de todas as superfícies — incluindo espaços entre os dedos, dorso, região subungueal e punhos. Com água e sabão, o procedimento deve durar entre 40 e 60 segundos. Com álcool em gel, o tempo recomendado é de 20 a 30 segundos, com fricção mantida até a completa evaporação do produto.
A indicação da técnica varia conforme o contexto: antes do preparo ou consumo de alimentos, após o uso de sanitários, durante os cuidados com pessoas doentes e ao retornar de ambientes públicos. Já no ambiente hospitalar, Fernanda explica que os momentos de higienização são regulados por diretrizes específicas que orientam a conduta dos profissionais ao longo de toda a assistência.
Segundo a enfermeira, a efetividade da higienização das mãos depende de um conjunto estruturado de ações institucionais: padronização de protocolos, disponibilidade contínua de insumos como sabonete líquido e álcool em gel, treinamento das equipes e monitoramento sistemático da adesão por meio de auditorias.
Esse acompanhamento é atribuição do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), que monitora indicadores e promove educação permanente. Na Santa Casa, o uso de tecnologia nos processos de treinamento integra as estratégias adotadas para elevar os padrões de qualidade na prevenção. “O resultado dessas ações é a redução de infecções, menos dias de internação e melhora na segurança do cuidado”, conclui Fernanda ao salientar que um dos avanços mais relevantes da saúde pública não veio de uma descoberta complexa — veio de um protocolo simples, mas executado com rigor.



