USP organiza acervo histórico do Cinusp com registros de mais de 500 mostras de filmes
Mais de 30 anos de história foram transferidos para o Arquivo Geral da USP, desde as primeiras mostras de filmes até projetos editoriais, como a revista “Sinopse” e os livros da Coleção Cinusp
Mais de 30 anos da história do Cinusp Paulo Emílio passaram a integrar o acervo do Arquivo Geral (AG) da USP em dezembro de 2025, com o recolhimento de 38 caixas de documentos que registram mais de 500 mostras realizadas pelo órgão desde sua criação, em 1993. O conjunto documental acompanha transformações do setor cinematográfico, como a passagem do analógico para o digital, e preserva também relatórios de atividades, materiais editoriais, notícias publicadas na imprensa e registros de parcerias com instituições como a Cinemateca Brasileira. Todo esse material estará à disposição pública para consulta e pesquisa no Arquivo Geral da USP.
As datas-limite da documentação registram as mostras realizadas desde a primeira, intitulada 6ª Semana de Arte da Poli, em setembro de 1993. O acervo reúne ainda relatórios de atividades do órgão, notícias divulgadas pela imprensa escrita e documentos dos projetos editoriais do Cinusp, como as edições da revista Sinopse e os livros da coleção Cinusp, entre eles No rastro dos encontros perdidos: a mostra Novíssimo Cinema Brasileiro, organizado por Nayla Guerra e Gustavo Maan. O texto sobre a transferência foi publicado em formato de artigo assinado por Eduardo Morettin, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e ex-diretor do Cinusp, no boletim do AG.

O processo de transferência foi iniciado em 2022, com a contratação, em setembro, pelo Cinusp, de uma bolsista vinculada ao Programa Unificado de Bolsas, Júlia Generoso Gonzales. O projeto encaminhado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) contemplava ações dirigidas à curadoria das programações, à comunicação pelas mídias sociais e à gravação de materiais diversos, como debates. A princípio, a intenção era organizar tanto a documentação em papel — além da tipologia já listada, o acervo conta com folders, cartazes enrolados e outros materiais — quanto o acervo digital, composto de gravações de debates, mesas-redondas e conferências, hoje inacessíveis por estarem armazenadas em suportes como K7, DAT, Mini DV, CD e microcassete.
Segundo Eduardo Morettin, a necessidade de organizar a documentação justificava-se pela recente mudança da equipe do Cinusp e de seus arquivos do escritório situado no Favo 4 das Colmeias para a nova sede, localizada no terceiro andar do prédio do Centro Cultural Camargo Guarnieri. “A despeito da manutenção desses papéis em cinco armários com gavetas abarrotadas de pastas suspensas, constatamos que era necessária uma ação imediata de higienização, com a retirada de clipes e grampos enferrujados e a consequente limpeza das folhas, que deveriam ser mais bem acondicionadas”, informa. E continua: “Constatamos também que o critério de organização das pastas suspensas seguia a cronologia das mostras, mas havia vários conjuntos, como a documentação financeira do órgão, que se encontravam dispersos não apenas nas pastas, mas também nos armários. Existiam planilhas que precisavam ser revisadas e ampliadas, mas não contávamos com instrumentos de pesquisa”.
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Diferentes documentos
A bolsista iniciou o trabalho de organização e limpeza da documentação, revisou as informações já existentes em planilhas e criou novas. No levantamento dos materiais em formato digital, foram registradas 130 entradas, que correspondem a 369 itens. Também foram organizados diferentes conjuntos de documentos, como os folders das mostras do Cinusp (259 itens), fotolitos (50), publicações do Cinusp (29) e cartazes (240), que foram desenrolados, planificados e guardados em condições adequadas de armazenamento.
Também foram registrados os materiais descartados, que geralmente correspondiam a inúmeros exemplares duplicados de livros, revistas, folders e cartazes. A partir da consulta à documentação, foi aprimorado o levantamento de mostras e sessões. Foram inventariadas 508 mostras, desde a primeira até a mostra Mitos e Lendas, exibida de fevereiro a março de 2023. Com relação às sessões especiais, foram listadas 70, realizadas entre junho de 2000 e novembro de 2022. “O trabalho de organização do acervo foi fundamental para que pudéssemos estabelecer nossa história, apresentada em novembro de 2023 por meio da preparação de um stand com livros e outros documentos, além de uma linha do tempo disposta na parede do hall de entrada de nossa sala de exibição, atividades que fizeram parte da celebração do nosso trigésimo aniversário”, conta Morettin.
Depois de higienizada, a documentação foi redistribuída em caixas-arquivo, e uma planilha foi elaborada para que a listagem com a descrição do conteúdo de cada item fosse examinada pela equipe do Arquivo Geral. Segundo Morettin, “a partir dela recebíamos orientação prévia em relação ao que deveria ou não ser mantido, bem como estruturávamos sua organização com base em princípios arquivísticos corretos”. Durante o processo, foi discutida a transferência do arquivo textual para o AG, “pois acreditávamos, e ainda acreditamos, que a instituição tem melhores condições de armazenar e prover acesso à documentação aos futuros interessados”, afirma ele, revelando os novos desafios relacionados à documentação produzida a partir da introdução do digital, ainda à espera de organização.
Há também, como aponta Morettin, materiais que correspondem a registros de debates realizados com cineastas, equipes técnicas, críticos, atores, atrizes, pesquisadores e docentes nacionais e internacionais, compondo um rico material de pesquisa. “Parte desse acervo já produzido, no entanto, ainda se encontra em formato original de captação e precisa ser digitalizada, editada, finalizada e disponibilizada para acesso público”, informa, destacando a necessidade de a USP criar um repositório digital para evitar que esse material se perca em um futuro próximo e para que possa abrigar, preservar e disponibilizar, com segurança, critério e método, a rica e diversa produção intelectual da Universidade. “A preservação e difusão da memória do cinema brasileiro, por meio da documentação do Cinusp, está agora garantida com a parceria instituída com a AG”, conclui.
Para conferir o boletim do Arquivo Geral da USP clique em https://sites.usp.br/arquivogeral/wp-content/uploads/sites/39/2021/06/2026n02.pdf.
Fonte: Jornal da USP.





