No artigo que escrevi ontem (16) no site viletim.com.br, afirmei que o PT estava em busca de uma desculpa para o caso de uma eventual derrota de Lula na eleição para presidente, que acontece no próximo domingo (25) contra Flávio Bolsonaro, em segundo turno.
Seus militantes trabalham com a dupla sensação de que vão vencer mas que podem perder se algo alheio ao processo acontecer. Uma emoção bipolar, uma vez que Flávio continua aparecendo numericamente à frente de Lula na maioria das pesquisas consideradas relevantes, apesar de todas afirmarem se tratar de empate técnico.
Para a militância do apedeuta, está havendo uma virada silenciosa a favor de mais quatro anos de governo Lula. Será? Mas voltemos às desculpas para o caso de uma eventual derrota do postulante à reeleição.
Não demorou nada para que viessem à tona os motivos que poderiam atrapalhar o plano petista: influências da Globo e Meta. As duas gigantes estariam em conluio com Flávio Bolsonaro para prejudicar Lula.
O jornalista Gabriel Oliveira, do site TV Pop, que trata dos bastidores do mundo televisivo, disse ao site O Antagonista que a Globo está às turras com Lula, e não é de hoje, por vários motivos relacionados à queda de receita da emissora com publicidade, que o governo tem reduzido drasticamente.
O outro ponto que antagoniza o canal com o governo Lula é o fim das bets. A Globo investiu pesado em um aplicativo de apostas, o MGM, e perdeu muito dinheiro com a decisão de Lula de tirar de funcionamento no país todas as casas de apostas eletrônicas.
A emissora perdeu também grana com o futebol e o marketing das bets. Uma receita para lá de significativa que sumiu do dia para a noite e a colocou em situação difícil com suas finanças.
Bastou a notícia de que alguns executivos da Globo almoçaram com Flávio Bolsonaro no dia em que ele seria sabatinado pelo canal para o alerta disparar. A tese petista? A Globo quer a vitória da oposição e estaria agindo nos bastidores nesse sentido.
Outro lance foi a empresa Meta, que deve ter feito alguma trapalhada — proposital ou não — com o algoritmo do PT, para que os petistas despertassem a tese da intervenção americana no processo eleitoral brasileiro a favor de Flávio Bolsonaro.
Era tudo o que eles queriam para ter o que falar na última semana de campanha. Com a rapidez de um trovão, Meta e Globo se uniram para alimentar as fantasias petistas em eventual derrota de Lula.
Claro que são questões difíceis de investigar em tão curto espaço de tempo. E, sem uma apuração mais detalhada sobre o que de fato está acontecendo, não há o que fazer. Mas os petistas vivem de informações que eles criam, e não com os fatos. Todas as suspeitas que possam lhes favorecer tornam-se verdades, e ponto final.
O “exército de Lula”, grupo de WhatsApp comandado pelo deputado federal André Janones (Rede), por exemplo, e que também conta com mais de 4 milhões de seguidores, estaria sendo prejudicado pela Meta, como se todo esse público fosse votar em Lula.
Evidente que há uma porcentagem elevadíssima dos seus integrantes que atuam pela reeleição do presidente. Mas não é bem assim que funciona o mundo virtual. Seguidores não são necessariamente eleitores. Podem ser curiosos, participantes que adoram acompanhar a boiada.
Claro que isso não é desculpa para que a Meta não dê explicação caso tenha feito algo de errado. O difícil é sustentar que o canal, mesmo tendo sido prejudicado por um prazo de tempo curto, possa levar Lula à derrota.
No caso da Globo, as perguntas da jornalista Renata Lo Prete foram severas com Lula e com Flávio, indiscriminadamente. A emissora segue as orientações do TSE, não podendo pender para nenhum dos lados.
Se houve algum favorecimento, ele está na alçada dos bastidores. Bastidor por bastidor, Lula é incomparavelmente mais esperto nesse quesito, basta observar sua capacidade de aprovar temas polêmicos do seu interesse no Congresso Nacional em um passe de mágica. Bastidor puro.
Já se sabe que bastidor bom é bastidor petista, o resto é intervenção, é golpe. Há sempre a velha dúvida se ser petista é uma questão de neurônio, de caráter ou de interesse. É um combo que nem a Globo supera.



