
A decisão por uma viagem pode ser motivada pela paisagem, algum tipo de passeio específico ou evento. Porém, certos hotéis têm despertado interesse e passaram a influenciar na escolha de viajar. Esses hotéis deixam de ser apenas infraestrutura e funcionam como atrativos.
Para tornar-se uma atração, o hotel precisa do reconhecimento do público, ou seja, as histórias precisam circular, as imagens devem adquirir significado e as pessoas precisam considerar aquele hotel como algo que merece ser conhecido. Um exemplo é o Copacabana Palace, no Rio de Janeiro (RJ). A relevância não está ligada só ao luxo. Ao longo de mais de um século, o estabelecimento foi associado à vida cultural da cidade e à presença de personalidades como Marilyn Monroe, Nelson Mandela e Madonna. Essas presenças reforçam os marcadores ligados ao hotel e sua associação com o imaginário da cidade.
O livro The Tourist, de Dean Maccannell, publicado em 1976, mostra que uma atração não depende apenas das características físicas de um lugar. A obra, considerada um clássico da área do turismo e sociologia, defende que a atração também é construída socialmente por imagens, histórias, personagens e acontecimentos que fazem algo parecer digno de ser conhecido.
Núcleo e marcador
Ainda nessa visão, Neil Leiper, acadêmico dos estudos do turismo, desenvolveu o pensamento que a atração por um destino surge da relação entre turista, núcleo e marcador. Para ele, núcleo é aquilo que se deseja conhecer; já os marcadores são as informações e os significados que direcionam nossa atenção. Maccannell e Leiper convergem que a marcação social atribui significado ao espaço e que o reconhecimento do público confirma sua mudança de somente apoio a uma viagem para uma peça-chave na escolha do destino.
Outro hotel que permite entender essa dinâmica é o IceHotel, na Suécia. Parte do empreendimento é reconstruída a cada inverno com gelo do rio Torne. Artistas criam quartos, esculturas e instalações que podem ser visitados como exposição durante o dia, mas que voltam à função de hospedagem à noite. O hotel ganha um fator atrativo.
Por outro lado, um estudo nomeado de Hotel especializado como atração turística, de 2016, demonstrou que um hotel pode convergir em duas atividades: hospedagem e atração turística. Em outras palavras, sem deixar de hospedar, o hotel passa a integrar o conteúdo turístico do destino. Essa dualidade explica um hotel ser atrativo.
Matéria: Fernando Silvestre | Jornal da USP.



