Corrupção é a palavra de ordem. Algo que nos parece familiar, mas ainda assim é difícil saber o que leva um político a se corromper e a fazer parte de esquemas agressivos de corrupção
Este artigo era para ser sobre filosofia, em que analisaríamos alguns aspectos do pensamento do filósofo Leo Strauss. Mas resolvi fazer uma preliminar para tentarmos chegar a algum denominador sobre o bem e o mal, tendo como base o que está acontecendo na política brasileira.
Corrupção é a palavra de ordem. Algo que nos parece familiar, mas ainda assim é difícil saber o que leva um político a se corromper e a fazer parte de esquemas agressivos de corrupção, sendo o mais evidente o caso Master, e seu agente mais conhecido, Daniel Vorcaro.
Imagine também o grau de perversidade que foi o desvio de recursos dos aposentados e pensionistas do INSS, comandados por um tal de Careca, pelo próprio Vorcaro, entre outros bancos que resolveram tirar uma casquinha da facilidade de se obter desonestamente elevados recursos financeiros. Um esquema de extrema maldade com as pessoas mais sensíveis da sociedade: os idosos, que trabalharam a vida toda para receber a migalha que recebem.
Vorcaro é uma mente criminosa. Teve inteligência suficiente para envolver muitos políticos no crime que planejou meticulosamente. É o tipo de pessoa incorrigível, que não pode mais ficar livre, porque seu potencial de reincidência e de vingança é enorme.
O suposto dono do Master deve estar negociando com seus principais aliados uma saída para a sua situação, sob o risco de denunciar a todos. Os envolvidos com Vorcaro deveriam ser punidos, assim como se deu com a maioria daqueles que participaram do propinoduto das empreiteiras, investigados pela Lava Jato.
É de conhecimento público que no Brasil investigações sobre crime dessa magnitude (Master) não avançam muito ou os processos decorrentes são destruídos pelos próprios chefes do STF. Com a Lava Jato foi assim e será assim com o caso Banco Master.
Agora me responda à queima-roupa: O que leva um político a se envolver em falcatruas dessa envergadura?
1. O gosto pelo poder e suas benesses, sem medir consequências?
2. A certeza de que jamais serão pegos?
3. A necessidade de fazer dinheiro rápido e se enriquecer antes da próxima eleição?
4. A vocação da maioria dos políticos de Brasília para o crime?
5. O desejo de viver aventuras como os criminosos?
6. Tudo junto e misturado?
Há leis no país para punir todos os personagens que se envolveram no crime em questão, basta serem identificados. No entanto, há envolvidos entre os juízes do próprio STF, como a imprensa tem noticiado. Isso significa que as leis que punem estão nas mãos de envolvidos no crime e dos criminosos a serem punidos.
Percebemos então que há anomalias graves na Justiça brasileira difíceis de serem equacionadas, como se fosse um círculo vicioso que se dá em uma estrutura muito bem montada para o crime. Um mais ingênuo diria que existe o recurso do impeachment de juízes. Há sim, mas Gilmar Mendes, o decano que toca gaita para Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, dificultou imensamente esse processo, que exige agora maioria absoluta dos parlamentares favoráveis, senão não tem conversa e nada anda.
Além disso, o presidente do congresso precisa colocar em pauta os pedidos de impeachment. Tanto o presidente da Câmara, Hugo Motta, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, estão até o último fio de cabelo envolvidos em suspeitas de falcatruas. Por aí também não há saída, porque eles jamais dariam um tiro no próprio pé.
Acreditar que André Mendonça, relator do caso Master, vai conseguir sozinho driblar os soldados de Vorcaro no STF, é uma ingenuidade imensa. Tanto é que Gilmar Mendes, o tocador de flauta para Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, já prepara suas armas para ver erros no processo e jogá-lo para o escaninho da história.
Então, percebemos que a solução do problema está no longo prazo, com a troca de muitos personagens da estrutura de poder do país, de presidente da República a ministros do STF e representantes do congresso Nacional. Para que isso aconteça, é preciso que o eleitor saiba distinguir o joio do trigo. Para quem olha para o processo eleitoral e vê as figuras que se destacam, fica chocado, porque a perspectiva é de continuísmo, independente de quem ganhe, considerando Lula e Flávio Bolsonaro.
Voltando à filosofia, como falar em bem e mal diante de um cenário desses? Diante de um eleitorado engessado? Parece que voltamos à velha tese de que a saída está nas mãos das crianças. Até nesse ponto fico assustado, uma vez que nas escolas, a razão vem sendo substituída por um sentimentalismo destrutivo, travestido de politicamente correto, de movimento woke, de ambientalismo bobo e vingativo, do esquerdismo tipo: se é político do meu time, está perdoado. Pecadores são os outros.
Vamos seguir no pensamento de Strauss, mas, antecipadamente, crio um cenário triste para percebermos o caminho que estamos seguindo, em que o emaranhado é favorável para os Carecas, os Vorcaros, os Lulas, os Flávios, os Wagners, os Costa Neto, os Mottas, os Alcolumbres, os Mendes, os Moraes, os Toffolis... Eles que inspiram a sociedade, vejam só.




