Crime oficial
Não há mais o que esconder. Agora é oficial. O STF também é espaço para a sem-vergonhice nacional
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, com suas declarações de que de fato esteve envolvido em negociatas com a empresa Maridt, escancara o que qualquer brasileiro mediano pensava sobre as maracutaias de figuras ilustres do judiciário nacional.
Não há mais o que esconder. Agora é oficial. O STF também é espaço para a sem-vergonhice nacional. Taí uma rima perfeita para o Carnaval 2026. Haha.
Ele, Dias Toffoli, confessou ter recebido dinheiro pela venda de participações por meio de fundos no resort Tayayá, no Paraná, para Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele que está com o caso Master em suas mãos no STF. Para o ministro, isso é a coisa mais normal do mundo e Vorcaro é um empresário-anjo, bom de negócio, e vítima das circunstâncias.
O mais vexaminoso é a relação que vem sendo feita entre as pessoas ligadas a Toffoli (seus irmãos estão na lista) e o crime organizado. Tanto é que, está na grande imprensa, o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que a comissão votará, na semana posterior ao carnaval, requerimentos de quebra de sigilo e de convocação de pessoas ligadas ao ministro.
Meu Brasil, brasileiro. Enquanto isso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, dois pedidos de liminares feitos pelo partido Novo e pelo partido Missão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a escola de samba Acadêmicos de Niterói, que pretende homenageá-lo. A notícia está no G1.
A lógica dos eminentes é de uma graça incrível, sintetizada pela ministra Estela Aranha. Segundo o G1, ela destacou que “eventual ilícito, mesmo sob os contornos de abuso eleitoral, deve ser apurado a posteriori, de acordo com a legislação”, concluindo que “não se verifica, neste momento, elemento concreto de campanha eleitoral antecipada, nem circunstância que permita afirmar, de forma segura, a ocorrência de irregularidade”.
Captou a genialidade? Para o TSE, Lula poderá fazer a campanha antecipada e só depois o TSE poderá analisar se houve ou não campanha antecipada. Imagine se a polícia só fosse investigar a morte de uma vítima após ela ser atingida por um disparo, mesmo sabendo que o assassino está à frente do policial dizendo que vai disparar e o policial não faz nada, porque ele ainda não disparou.
As autoridades públicas nacionais vivem um momento no mínimo estranho, como se estivesse em outro mundo. No caso do STF, seus representantes fazem coisas que para qualquer cidadão adulto quer dizer crime, mas para eles, não é. Só que eles são os responsáveis para analisar e julgar os crimes alheios. Nem tomando chá de Mulungu dá para entrar nesse universo paralelo do crime oficial.





