Crônica do cotidiano 1
Feira livre é local de cultura. Conversei hoje (5) com uma senhora, acima dos 80, que estava desde cedinho pela rua. Ela já havia passado pelo varejão da Paulista e comprado 4 tomates a R$ 6,40. “Ótimo preço. Só não comprei mais para não estragar”. No mercado QualyMax, da Vila Monteiro, comprou três bananas-da-terra. “Frita é uma delícia”. E acabava de comprar um pequeno pacote de mandioca descascada na feira do centro da cidade, na rua Santa Cruz.
Como pode andar tanto e para locais tão distantes?, perguntei a ela. “Gosto de andar pelos supermercados e feiras da cidade. A gente sempre encontra algo que vale a pena, com preço bom”. Perguntei como ela se deslocava. “De ônibus. É rapidinho e não pago nada.”
Depois, conversando com outras pessoas, fiquei sabendo que supermercados e feiras são espaços de passeio de pessoas idosas. Principalmente mulheres que moram sozinhas. Elas fazem uma espécie de turismo nesses locais quando sentem vontade de sair de casa. Voltar para casa para elas que é difícil.
Crônica do cotidiano 2
A cena mais curiosa na feira livre do centro da cidade foi proporcionada pelo tomate. Tirei até foto para comparar preços, que variavam de R$ 9,00 a R$ 14,90 o quilo.
Perguntei a um senhor o motivo de o preço estar tão alto. Ele me explicou que plantar tomate não é fácil. Exige cuidado para que a produção seja boa. “Então fica caro”.
Eu disse que comprei tomate na semana anterior por R$ 4,90. “Pois é. Imagine que todo mundo plantou tomate e o preço caiu. Não compensou. Na sequência, a produção é reduzida para não ter prejuízo. O preço sobe”.
Pensei comigo: “é a velha teoria da oferta e da procura”. E continuei observando o que acontecia no local.
Uma senhora dizia, indignada, diante de uma banca só de tomate. “Desse jeito, prefiro comprar carne.” Foi a forma que ela encontrou para ironizar o preço da fruta, uma vez que a carne também está o olho da cara.
O tempo passou e acabamos comprando tomate a R$ 8, um preço médio. Até que, na hora de ir embora, na banca em que se vendia tomate de até R$ 14,90 o quilo, estava tudo por R$ 6,90. Era a hora da xepa. Compramos mais um quilo e todos os tomates escolhidos estavam ótimos.
Pensei comigo novamente, “esse é um segundo aspecto da lei da oferta e da procura para produtos altamente perecíveis, como o tomate”. A feira estava escasseando de gente e se ele não se livrasse daqueles produtos, talvez tivesse um prejuízo grande, mesmo tendo vendido tanto tomate a preço de ouro.





