De costas para a realidade
O pesado, em termos de notícia, está mesmo no editorial do Estadão, mostrando a maquiagem do governo para esconder seus gastos com populismo
As matérias jornalísticas podem ser lidas de acordo com o interesse de cada um. Se quiser uma que pode ser vista como favorável a Bolsonaro, é a que censura a pesquisa de intenção de votos da AtlasIntel, mostrando queda de Flávio Bolsonaro em relação a Lula.
Mas a pesquisa não é nova e todos os demais institutos já apontaram para a mesma queda. Ou seja, a censura é uma decisão do TSE que não repercute em nada. Parece mais um bando de pessoas caras ao país perdendo tempo com algo que não tem a menor importância prática.
Dizer também que Lula leva vantagem sobre Flávio Bolsonaro por causa da notícia de que o filho do ex-presidente está envolvido com Daniel Vorcaro, não é nada seguro. Trata-se de um eleitorado do meio, esse que causou a oscilação, mas que ainda não tomou decisão final alguma. É se iludir com algo volátil.
O pesado, em termos de notícia, está mesmo no editorial do Estadão, mostrando a maquiagem do governo para esconder seus gastos com populismo. São cerca de R$ 200 bilhões que não aparecem na conta oficial, como se nada tivesse acontecido.
“… Ninguém, até o momento, havia tido a paciência de somar todas as ‘pequenas bondades eleitorais’ que, tomadas uma a uma, parecem inofensivas. O economista Marcos Mendes, em relatório da XP Investimentos, fez esse trabalho para o cidadão brasileiro. E o retrato não é nada bonito”, afirma o editorial.
Nessa conta maquiada, pois são recursos do governo, mas que não afetam a métrica do arcabouço fiscal, entram subsídios para caminhões, programas de incentivos, subvenção a combustíveis etc. E tudo corre como se as contas públicas estivessem na mais perfeita ordem. No fundo, é a velha pedalada que derrubou Dilma Rousseff, em versão turbinada.
“O problema está em escamotear esses gastos da sociedade, fazendo parecer que o arcabouço fiscal continua em pé e saudável. Esses truques servem apenas para cumprir formalmente as regras fiscais, mas não são suficientes para fazer o dinheiro aparecer do nada”, afirmam o editorial.
Mas a questão é difícil de ser transformada em um assunto de impacto popular. Apesar de ser grave, não atrai. E é nesse território que Lula atua com desenvoltura, fazendo das contas públicas o seu maior instrumento para angariar votos.





