O câncer colorretal abrange os tumores malignos que se iniciam no cólon (intestino grosso) ou no reto (a parte final do intestino). No mundo, o câncer colorretal representa 10% de todos os tipos de câncer, com 1,9 milhão de novos casos anuais e 935 mil mortes, segundo o levantamento Globocan, da Organização Mundial da Saúde. Diante desse cenário, a sociedade Americana de Câncer atualizou neste ano as diretrizes para rastreamento desse tipo de câncer.
De acordo com o médico Alexandre de Sousa Carlos, gastroenterologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, um dos únicos tipos de câncer em que existe um exame preventivo adequado é o câncer colorretal. Ele explica que a atualização é fundamental para detectar o problema entre pessoas de 45 a 50 anos. Pacientes com familiares de primeiro grau que tiveram a doença numa idade mais jovem devem tomar cuidado redobrado devido à predisposição genética.
Atualmente, a doença está aparecendo em pessoas mais jovens devido a fatores ambientais, como alimentação cada vez mais preenchida por industrializados e ultraprocessados, poluição, tabagismo e pouco consumo de fibras.
Sintomas de alarme
O médico explica que as pessoas devem sempre ficar atentas a alterações no padrão intestinal. Ele cita, como exemplo, um paciente que tem um ato intestinal normal e, de alguns meses para cá, está ficando mais ressecado ou ficando mais com diarreia.
Outros sintomas que requerem atenção é a presença visível de sangue nas fezes e dores frequentes na região abdominal. Os exames de sangue tradicionais podem ajudar a detectar alterações que possam sinalizar esse tipo de câncer, como ferro baixo e anemia.
Prevenção
A colonoscopia é um exame que permite ao médico observar por dentro o intestino grosso (cólon) e a parte final do intestino delgado. Ela é feita com um aparelho chamado colonoscópio, um tubo fino e flexível com uma câmera na ponta.
Em qualquer suspeita, os médicos retiram fragmentos para fazer uma investigação mais aprofundada. “As vezes é uma verruga inicial que não é câncer ainda, mas o fato de a gente tirar pela colonoscopia evita um câncer no futuro. Ou às vezes até um câncer bem inicial que a gente também consegue ressecar pela pela colonoscopia. Ou é um câncer um pouco mais avançado, mas que você dá esse diagnóstico através da biópsia e encaminha para uma cirurgia que também pode ser curativa, a depender do estágio daquela doença.”
A prevenção, portanto, começa antes do aparecimento dos sintomas. O rastreamento permite identificar alterações no intestino e, em alguns casos, retirar lesões antes que elas evoluam para um câncer. No Brasil, o SUS recomenda o teste FIT ( que detecta sangue oculto nas fezes) a cada dois anos para pessoas a partir dos 50 anos que não possuam sintomas. Se o resultado for positivo, o próximo passo é a colonoscopia. Caso a pessoa já tenha sintomas, é importante fazer a colonoscopia logo de início.
Fonte: Jornal da USP.





