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Pelo bem ou pelo mal, estamos presos às pesquisas eleitorais. O que elas trazem serve de apoio para refletirmos sobre o momento político. Sabemos, evidentemente, que não são a certeza do que vai pela vida real, mas indicam, ao menos, um caminho possível. Mostram uma tendência, digamos assim.
Como há vários institutos de pesquisa em ação, o resultado de um ajuda a ajustar o do outro. Na média, tem-se algo em que possamos confiar mais. No entanto, estamos sempre com um pé atrás, uma vez que o cenário brasileiro está viciado. Os acontecimentos do dia a dia pisam de leve no acelerador das mudanças.
Notícias do STF contam pouco para descongelar a imagem do que está posto. Notícias da Polícia Federal (PF), que deveriam causar impactos severos, nem fazem cócegas nos indicadores. Manchetes de jornais? Nada. As alterações, de uma pesquisa para outra, oscilam na magnitude de 1%, mesmo com manchetes assustadoras contra este ou aquele candidato.
Agora temos o debate do domingo (23), do qual se ausentaram os dois líderes, Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo o Estadão, o eleitorado de Flávio é o mais oscilante e desconfiado. O de Lula não arreda pé. Caiado e Renan Santos, pelo que trouxe a notícia que reflete o ocorrido, foram os maiores beneficiados das ausências.
Ainda não temos ideia do que o debate pode ter provocado na cabeça do eleitorado médio e, por isso, voltamos às pesquisas. O que elas trarão de novidade esta semana? Hoje (24), a pesquisa BTG/Nexus apresenta uma nova amostragem, em que nada mudou de lugar. Lula lidera levemente, Flávio vem em seguida, com Caiado em terceiro lugar com 5%, com Renan Santos e Romeu Zema na ponta do segundo pelotão. A pesquisa não capta o impacto do debate de ontem, mas pode estar certa mesmo assim.
Pelo que se percebe e segundo os analistas, o público com potencial de mexer de fato nos indicadores está mais preocupado em trabalhar e pagar as próprias contas do que em decidir em quem votar. Quando chegar o momento certo, esse eleitorado não ideológico tomará uma posição. Quando isso vai se dar? Pode ser gradativamente, o que vamos perceber de uma pesquisa a outra. Na reta final. Última semana, talvez. Ou tudo de uma vez, no dia 4 de outubro. Vai saber. Esta eleição é o rescaldo de um confronto fictício entre dois oponentes que se assemelham no grau de ilusão.




