Delinquência suprema
Não se trata de afronta à soberania nacional ou à democracia
Nem mesmo diante do olhar atônito de um público que não suporta mais suas estripulias, o Ministro Alex de Moriales se apruma. Se antes era vergonhoso ver um homem com a responsabilidade que ele tem fazer o que ele faz, está ficando vexaminoso.
No entanto, não há no horizonte alguém que possa dizer-lhe que seu filme já queimou faz tempo.
O bom senso era um critério mínimo para ser ministro do Supremo. Agora, parece que fazer papel de canastrão se tornou a tônica de quem veste a capa preta.
Se antes a capa preta tinha um significado simbólico valioso, hoje vale tanto quanto uma nota de 3 dólares. Como diz a minha IA: “A capa faz o herói. O que há por baixo, nem tanto”.
A notícia de que ele cassa um sofá em que a senhora Barcifora teria feito dele uma corsa sem asas extrapolou a dimensão do meme. É preciso inventar algo mais penetrante que um prego enferrujado.
Para não perder o filho da meada, convém dizer-lhe logo: “Senhor Moriales, pede para ir ao banheiro e espana. Não tem mais graça se esconder atrás das próprias mãos. Cobrindo os olhos, não desaparece o mundo”. Dá-lhe IA.
O sigilo de fonte, senhor Moriales, é cláusula pétrea. O senhor pode frustrá-la. Mas não há Dino que consiga se mover depois disso. O supremo não apenas perde, como se apequena, desaparece. Vira um bando de indigentes diante de adultos.
Perceba, senhor Ministro, que vocês estão passando do limite da porta e já avançam para o porão das memórias ruins. É triste falar assim com um homem cuja careca não presta mais nem como aeroporto de mosquito.
Talvez ele entenda tudo isso como uma afronta à soberania nacional ou contra a democracia. Mas não é. É apenas a luta pela sobrevivência de metáforas asquerosas expostas ao sol da delinquência suprema. É um texto sem sigilo de fonte.





