Dia Mundial da Tireoide reforça importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo
Alterações hormonais podem afetar coração, peso, memória e qualidade de vida; endocrinologista da Santa Casa alerta para sintomas que muitas vezes são ignorados
“O diagnóstico correto permite controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações”, alerta endocrinologista
Pequena no tamanho, mas fundamental para o funcionamento do organismo, a tireoide exerce influência direta sobre o metabolismo, o ritmo cardíaco, a temperatura corporal, o funcionamento intestinal, o humor e até a capacidade de concentração. Quando essa glândula deixa de produzir hormônios na quantidade adequada, o corpo passa a emitir sinais que nem sempre são facilmente identificados.
No Dia Mundial da Tireoide, celebrado em 25 de maio, especialistas reforçam a importância da conscientização sobre doenças tireoidianas, que atingem milhões de pessoas e frequentemente são confundidos com estresse, depressão, envelhecimento e outras condições clínicas.
Segundo a endocrinologista da Santa Casa de Piracicaba, Rayssa Chamma, alterações hormonais relacionadas à tireoide exigem atenção médica e não devem ser banalizadas. “A tireoide participa do equilíbrio metabólico do organismo. Quando há deficiência ou excesso hormonal, diversos sistemas sofrem impacto e o paciente pode apresentar sintomas bastante variados”, explica.
Entre as doenças mais comuns estão o hipotireoidismo e o hipertireoidismo. No primeiro caso, há redução da produção hormonal, o que pode provocar cansaço excessivo, sonolência, pele seca, lentificação do raciocínio e alterações intestinais. Já o hipertireoidismo acelera o metabolismo e pode causar palpitações, perda de peso, ansiedade, tremores, irritabilidade e intolerância ao calor.
A médica destaca que muitos pacientes convivem por meses — ou até anos — com sintomas, sem ter o diagnóstico. “Como são manifestações inespecíficas, muita gente atribui ao estresse, à rotina intensa ou ao próprio envelhecimento. Por isso, a avaliação clínica e os exames laboratoriais são fundamentais para um diagnóstico correto”, afirma.
Além do diagnóstico, o acompanhamento contínuo também é essencial. Rayssa alerta que tanto a interrupção do tratamento quanto o uso inadequado de medicamentos hormonais podem trazer riscos importantes. “Existe uma falsa ideia de que hormônio tireoidiano pode ser usado para emagrecimento ou melhora de disposição, e isso é extremamente perigoso. O tratamento sempre deve ser individualizado e acompanhado por um especialista”, ressalta.
Nos últimos anos, entidades médicas têm reforçado a necessidade de maior precisão na avaliação das doenças tireoidianas. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) mantém consensos atualizados sobre diagnóstico e manejo clínico das disfunções tireoidianas, incluindo recomendações sobre interpretação adequada dos exames hormonais e acompanhamento de pacientes com hipotireoidismo e hipertireoidismo.
O Ministério da Saúde também mantém protocolos clínicos atualizados relacionados às doenças da tireoide, reforçando critérios diagnósticos e estratégias terapêuticas, especialmente em condições como o hipotireoidismo congênito, em que o diagnóstico precoce é decisivo para evitar complicações no desenvolvimento infantil.
De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Tireoide da SBEM, o hipotireoidismo é mais frequente em mulheres, especialmente após a menopausa, mas as alterações podem surgir em qualquer fase da vida. “O diagnóstico correto permite controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações cardiovasculares, metabólicas e cognitivas. A informação é uma grande aliada nesse processo”, conclui.




